Qualidade do trigo gaúcho divide o setor

Debate sobre a qualidade do cereal gaúcho para a panificação surge a cada nova safra

Qualidade do trigo gaúcho divide o setor Roberto Souza/Especial

De acordo com a Emater, praticamente todas as lavouras são cultivadas com a variedade tipo pão Foto: Roberto Souza / Especial

Fernando Goettems

fernando.goettems@zerohora.com.br

A cada nova safra, surge debate sobre a qualidade do trigo plantado no Estado. De acordo com a Emater, praticamente todas as lavouras são cultivadas com a variedade tipo pão, adequada à necessidade da demanda.

O Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado (Sindipan-RS) contesta a afirmação.

– Só 10% a 15 % da safra gaúcha é utilizada na panificação – diz o presidente do Sindipan, Arildo Bennech Oliveira.

O impasse é explicado pelo pesquisador Eduardo Caierão, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo. Caierão explica que as cultivares usadas no Estado são de boa qualidade, mas o clima e a armazenagem fazem o desempenho cair após a colheita:

– Temos com frequência geadas tardias de primavera e chuva na colheita. Nem sempre se confirma na lavoura a qualidade plantada. Isso ocorre pela interação com as condições climáticas e por problemas na armazenagem.

Para mudar esse quadro, Caierão dá algumas dicas aos produtores.

– Na semeadura, é preciso trabalhar com mais de uma cultivar. Se não for possível, é interessante plantar em épocas diferentes, para não apostar tudo em uma única fase.

Na opinião de José Antoniazzi, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Rio Grande do Sul, o Estado evoluiu muito nos últimos cinco anos em qualidade de produção:

– Nesse período, quase dobrou a moagem de trigo gaúcho.

Preço do pão ainda deve seguir em alta

Com as boas cotações da atual safra, a redução no preço do pão não deve ocorrer ao menos até a Argentina voltar a vender o produto para o Exterior, afirma Arildo Bennech Oliveira, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria e de Massas Alimentícias e Biscoitos do Estado (Sindipan). Ao menos metade do trigo consumido no país é importado. E o cenário é agravado pela quebra da safra no Paraná.

Dados do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe-UFRGS) mostram que o preço do quilo do pão francês subiu em média 10% nos últimos 12 meses.

– A safra é ruim no Paraná não apenas em volume mas também em qualidade. Temos de trazer produto até dos Estados Unidos e do Canadá, e isso tem custo maior. Apenas neste ano já importamos mais de 3 milhões de toneladas – reforça Oliveira.

O empresário credita a alta dos preços a uma falta de política do governo federal para o trigo:

– Precisamos de mais investimento to púbico para estimular a cultura, como preço mínimo. A Argentina, por exemplo, já chegou a produzir 16 milhões de toneladas.

De acordo com a consultoria Safras & Mercados, o governo argentino estima que a safra do cereal nesta temporada será de 8,8 milhões de toneladas. Desse total, apenas cerca de 2 milhões serão destinados para as exportações.

– O saco de pré-mistura para pão francês nos custa atualmente na faixa entre R$ 46 e R$ 50. Em épocas normais, custo é de R$ 25.

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