Qualidade de semente preocupa em MT

A baixa qualidade das sementes de grãos tem preocupado os produtores de Mato Grosso. Os problemas, conforme os agricultores, vêm se agravando nos últimos cinco anos com o aumento da demanda e trazendo impactos diretos no rendimento das lavouras de soja e milho. Assim, cresce o número de quem opta por produzir o próprio insumo, fugindo das sementeiras.

"Temos visto este ano entregas de sementes de milho até da safra 2012/13, muitas inclusive com doenças", diz Naildo da Silva Lopes, consultor agrícola em Nova Mutum. Segundo ele, há uma lacuna na legislação desfavorável ao produtor. A lei diz que a semente deve garantir 80% de germinação, mas não trata da idade nem do vigor dela. Do lado das fornecedoras, muitos creditam a qualidade inferior ao transporte ou armazenagem inadequados.

Muitas vezes, o agricultor também tem dificuldade em provar que as perdas estão relacionadas à qualidade das sementes, diz André Debastiani, analista da Agroconsult. "Esse problema já acontece há algum tempo, mas este ano se tornou mais latente porque a condição de germinação foi muito adversa por conta da seca, o que revelou a deficiência dessas sementes", afirma.

O produtor Lucas Beber ainda espera ser indenizado por prejuízos na safra passada. Ele plantou 500 hectares com sementes de soja de baixo vigor, que deram apenas 60% de germinação, e estima ter perdido de três a quatro sacas por hectare. "Colhi uma média de 52 sacas por hectare na área. Não é ruim, mas para o meu nível de investimento…", diz.

O caso incentivou Beber a elevar o plantio de soja com semente "salva", quando o agricultor produz sua semente em vez de comprar de sementeiras. A atividade é legal quando o produtor registra a área de cultivo da semente no Ministério da Agricultura e paga os royalties à empresa detentora da tecnologia.

Patrik Lunardi, que planta 4 mil hectares de soja em Nova Mutum, semeou 60% de sua área em 2015/16 com semente salva. Na safra que vem, quer chegar a 100%. Para isso, está desembolsando R$ 1 milhão para montar a infraestrutura necessária de equipamentos. "O custo [da semente] está abusivo e não temos garantia de qualidade. Produzindo a sua semente, você tem mais zelo".

A repórter viajou a convite da Agroconsult

Por Mariana Caetano | De Nova Mutum (MT)

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *