PRÓXIMA SAFRA | Soja deverá ocupar área recorde em todo o Estado

Estimativa da Emater prevê aumento de 6,22% e 258 mil hectares a mais para o cultivo do grão

Esperança de produção e renda na safra de verão no Estado, a soja deve confirmar a tendência de crescimento da área plantada e chegar ao recorde de 4,40 milhões de hectares. O aumento previsto pela Emater é de 6,22%.
São 258 mil hectares a mais, dos quais 150 mil hectares de áreas novas antes ocupadas pela pecuária e pelo arroz, principalmente na Metade Sul. A estimativa de intenção de plantio foi divulgada ontem durante a Expointer.
A produção total pode chegar a 24 milhões de toneladas, conforme a Emater. Se confirmada, será a segunda maior safra da história, atrás apenas do período 2010/2011, que teve colheita de 26 milhões de toneladas.
O principal motivo apontado para a ampliação da área da soja é o preço atrativo no mercado, que começou a elevação de valor ainda com a quebra de safra na América do Sul e foi reforçada pela falta de chuva que afeta agora os Estados Unidos. Além do avanço em áreas de arroz e pecuária, produtores devem trocar a cultura do milho pela soja nesta safra.
– O preço da soja está acima da média. Em torno de 100 mil hectares, pela nossa estimativa, deve ser de uma substituição de área do milho pela soja – afirma o diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus.
Os produtores estão aproveitando para fazer contratos de venda futura da produção.
– A soja está sinalizando bons preços e os produtores estão comercializando antecipadamente, coisa que infelizmente não acontece com o milho – observa o presidente da Comissão de Soja da Federação da Agricultura do Estado, João Batista de Oliveira.
Conforme o analista de Safras & Mercado, Flávio França Junior, até a entrada da próxima safra sul-americana, os preços continuarão altos. O especialista estima que 20% da safra gaúcha de soja já está negociada, número acima da média histórica.
– A partir de março, o produtor começa a colher e os preços devem diminuir, mas ainda assim vão ficar acima do que geralmente vemos no mercado – avalia França Junior.
A maior preocupação com o cenário de queda do milho é o abastecimento da cadeia de aves e suínos. Produtores lamentam a redução de área, mas avaliam que o mercado está tendo reversão positiva de preços e apostam em uma revisão dos números no próximo levantamento.
– Se tem alguém indeciso ainda pedimos que repense, que opte pelo milho – ressalta o presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho/RS), Cláudio Luiz de Jesus.

NESTOR TIPA JÚNIOR

Fonte: Zero Hora

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