Protesto de fazendeiros lembra ataques constantes de ladrões de gado na Fronteira Oeste

Criadores tentam chamar a atenção de autoridades sobre casos de furto e roubo de animais na região

Protesto de fazendeiros lembra ataques constantes de ladrões de gado na Fronteira Oeste Mikaela Bandeira/Arquivo Pessoal

Placa afixada às margens da BR-293 traz junto cabeças de gado abatido Foto: Mikaela Bandeira / Arquivo Pessoal

Carlos Wagner

carlos.wagner@zerohora.com.br

Um monumento aos ladrões de gado. Há meses, à beira da rodovia Santana do Livramento-Quaraí (BR-293), na Fronteira Oeste, um grupo de fazendeiros pendurou cabeças de gado e ovelhas na cerca de arame com uma placa que estampa: "Aqui jaz o fruto da impunidade".
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De tempos em tempos, os criadores retocam a pintura da frase e fixam novas caveiras no aramado. O inusitado monumento é um clamor contra os abigeatários, como são conhecidos os ladrões de gado que agem há mais de dois séculos na região. No Estado, a cada ano, é furtada ou roubada uma tropa de 14 mil animais. Livramento é um dos alvos prediletos.
As caveiras e a placa estão nas proximidades do aeroporto de Livramento, popularmente chamado de campo de aviação. Não é por acaso que o protesto está ali. Acontece que fica perto da fronteira seca, a linha que separa o Uruguai do Brasil. Os fazendeiros são vítimas do "abigeato dos carneadores" — os criminosos abatem os animais no campo e levam apenas as partes nobres, deixando as carcaças apodrecerem.
— O ataque dos ladrões de gado é contínuo. Além do prejuízo, também deixam para o produtor a sensação de insegurança — descreve Luiz Cláudio Andrade, presidente do Sindicato Rural de Livramento.
Andrade diz não saber quem foi o autor do protesto. Mas concorda com ele. As proximidades com a linha seca, entre os dois países, dificulta a repressão das autoridades, admite o delegado regional da Polícia Civil, Eduardo Santa’Anna Finn.
— Os ladrões operam dos dois lados da fronteira. E graças a esse expediente, eles têm conseguido sobreviver através dos tempos — relata.
O delegado tem investigações em andamento. A parte mais complicada é conseguir provas que liguem o ladrão de gado ao receptador, geralmente açougues e distribuidoras de carne. Os delegados da Fronteira Oeste apostam em ações conjuntas entre órgãos governamentais (municipais, federal e estadual) no combate ao abigeato.

Fonte: Zero Hora

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