Proprietários rurais se mobilizam contra invasões de terras por indígenas

Cerca de 200 produtores de Mato Grosso do Sul e do Paraná protestaram nesta terça, dia 19, em frente à sede da Funai, em Campo Grande (MS)

Divulgação/ Famasul

Foto: Divulgação/ Famasul

Ato recebeu o nome de Movimento de Agricultores Familiares Vítimas da Funai

Proprietários rurais de Mato Grosso do Sul e do Paraná envolvidos em conflitos agrários com indígenas se mobilizaram na manhã desta terça, dia 19, em frente à sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Campo Grande (MS), para protestar contra a atuação do órgão e contra as recentes invasões de terras realizadas por grupos guaranis e kaiowás no Estado.

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O ato recebeu o nome de Movimento de Agricultores Familiares Vítimas da Funai (Maff) e reuniu, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), 200 produtores dos municípios sul-mato-grossenses de Iguatemi, Tacuru, Laguna Carapã, Caarapó, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti e Miranda, além de agricultores de Guaíra, no Paraná.
Eles reivindicaram a paralisação das invasões, o cumprimento das reintegrações de posse, o fim dos processos de demarcação de áreas invadidas e mais atuação do governo federal para por fim à insegurança no campo.
O organizador do protesto, Jino Ferreira, também criticou o descaso do governo com os povos indígenas.

– Não vejo nenhuma ação concreta das autoridades competentes. Desejamos que as comunidades indígenas sejam realmente atendidas pelo poder público, já que hoje vivem em situação de calamidade – afirmou.

Para o Sistema Famasul, a manifestação é legítima diante da violência e insegurança geradas pelas invasões em áreas rurais. A última ocorreu nessa segunda, dia 18, quando um grupo de guaranis entrou em mais uma propriedade, na cidade de Dourados. De acordo com a Famasul, no momento, há 80 propriedades invadidas no Estado.
Lideranças indígenas dizem que fazendeiros fazem jogo duplo

Aproximadamente 300 lideranças indígenas terenas, outra etnia envovlida em conflitos por terra em Mato Grosso do Sul, se reuniram entre os dias 13 e 16 deste mês, em Nioaque, para participar da quarta edição da Grande Assembleia do Povo Terena.

O evento fez severas críticas sobre a ineficácia do Estado em demarcar terras indígenas. Conforme informações do documento final da assembleia, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), “após diversos prazos estipulados pelo próprio governo, não há nada de concreto a ser apresentado aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul”.

Os indígenas também denunciaram o jogo duplo dos fazendeiros nas mesas de discussão propostas pelo governo. “É público e notório a ameaça concreta intentada contra os povos indígenas pelos ruralistas deste Estado”, afirmou a carta final. Segunfo informações do Cimi, durante o encontro os terenas relataram diversos casos de ataques, intimidações e ameaças que os índios vêm sofrendo.

Rio Grande do Sul

Nessa segunda, dia 18, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com representantes indígenas no Rio Grande do Sul para resolver a disputa de terras entre índios e produtores rurais no Norte do Estado. O encontro, com o objetivo de tratar sobre os 1.900 hectares de terras em disputa, aconteceu em Passo Fundo, a portas fechadas. Depois, o ministro também se reuniu com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e com uma comissão de agricultores de Sananduva e Cacique Doble na sede da Polícia Federal em Porto Alegre.
No início de novembro, Cardozo prometeu que pediria à Justiça Federal a suspensão das desapropriações de terras determinadas pela Funai em Sananduva. A afirmação ocorreu depois que 140 produtores e representantes da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (Fetraf-Sul) bloquearam as principais entradas do Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Na ocasião, Cardozo ainda determinou para dezembro a publicação de uma portaria que mudaria as regras para a demarcação de terras indígenas no país.
Segundo a coordenadora da Fetraf-Sul, Cleonice Back, a negociação com o governo federal já dura mais de cinco anos e não apresenta avanços. Cerca de 10 mil famílias vivem em situação de insegurança no norte do Estado. Os produtores não têm garantia de indenização pela desapropriação das terras e nem outras áreas para morar ou produzir.
Em outubro, centenas de agricultores familiares gaúchos ocuparam um pavilhão onde Dilma Rousseff fez um discurso, em Novo Hamburgo, para solicitar uma posição clara do governo.

RURALBR COM INFORMAÇÕES DO CANAL RURAL E DA FAMASUL

Fonte: Ruralbr

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