Pronaf leva desenvolvimento a agricultores familiares do Ceará

O Ceará ocupa o quarto lugar no ranking dos estados brasileiros com o maior número de estabelecimentos familiares. É lá que estão 341.510 propriedades desse tipo, o que corresponde a 90% das unidades rurais do estado. Os dados são do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os agricultores familiares cearenses são responsáveis pelo cultivo de 91% do feijão, 89% do milho grão, 88% do arroz em casca e 82% da mandioca e  81% da criação de suínos no estado.

Conforme o diretor técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) no Ceará, Emanuel Itamar Lemos Marques, a produção nas propriedades familiares, no estado, é diversificada e tem evoluído no cultivo de hortaliças e frutas, na produção de leite e na pecuária. Mas a escassez de chuvas é a principal dificuldade desses produtores, já que o estado enfrenta o seu quinto ano de seca.  “De três anos para cá, estimo que tenham sido construídos uns 5 mil poços no Ceará através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o que tem dado uma grande sustentabilidade aos agricultores familiares”, destaca.

A prestação de assistência técnica pela Emater local também tem ajudado na sustentabilidade desses agricultores. Segundo Marques, a Emater tem distribuído sementes de culturas mais adequadas ao clima do estado.  Entre as sementes distribuídas, estão as de sorgo forrageira, palma forrageira e a do cajueiro-anão precoce. As forrageiras servem como alimentação dos animais, principalmente durante o período de seca. Isso, de acordo com Marques, fez com que o Ceará seja o único estado do nordeste a aumentar a produção de leite no primeiro semestre deste ano.

O Ceará também se destaca na cajucultura. Marques calcula que cerca de 60% das propriedades familiares cultivam cajueiros. “A distribuição de sementes de caju-anão precoce tem ajudado no aumento da produção da fruta”, afirma.

Pronaf
No ano passado, os agricultores familiares cearenses acessaram R$ 405 mil em linhas de financiamento do Pronaf para investir em suas propriedades. Coordenado pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e de Desenvolvimento Agrário (Sead), um dos objetivos do Pronaf é promover o desenvolvimento sustentável dos produtores familiares através de crédito com juro baixo.  Para a safra 2016/2017, o Pronaf destinou R$ 30 bilhões para financiamentos.

Junto com o Pronaf, o agricultor familiar tem à sua disposição, sem qualquer custo, serviços de assistência técnica e extensão rural prestados pela  Emater-CE e entidades não governamentais. “A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) é uma política essencial para aumentar a renda e a melhoria da qualidade de vida dos produtores familiares”, diz Marques.

Cajucultura
Com a ajuda do Pronaf, o agricultor familiar Raimundo Carlos Neto, de 58 anos, iniciou a sua fábrica de polpas de frutas e mudou a sua situação econômica. Ele tem duas propriedades rurais em Beberide, que fica ao norte do Ceará, onde também cultiva manga, goiaba e sapoti, sendo o cajueiro o carro-chefe da produção. A profissão de agricultor ele herdou do pai, que também plantava frutas.

Em 2009, por meio das linhas de crédito do Pronaf investimento, ele financiou R$ 38 mil para a compra de uma câmara fria para armazenar o caju, já que a fruta perde qualidade rápido. Conforme Neto, a renda aumentou e foi possível investir, com recursos próprios, em uma despolpadora de frutas. Daí para frente o negócio só cresceu.

No ano passado, a sua fábrica transformou mil toneladas de caju em polpas de fruta. Destas, 600 toneladas vieram dos seus cajueiros e 400 foram compradas das propriedades vizinhas, todos agricultores familiares. “Agradeço ao Pronaf tudo o que eu tenho”, diz.

Neto já solicitou cinco vezes o Pronaf entre as linhas custeio e investimento, o que possibilitou também o financiamento de um trator e um caminhão. Ele ressalta que paga sempre adiantado as parcelas das prestações. As da câmara fria que venceriam este ano, por exemplo, foram quitadas em fevereiro. “Em setembro passado, quitei todo o financiamento do caminhão. A última prestação venceria em 2019. Consegui adiantar porque a minha vida financeira melhorou muito. Agora quero quitar o financiamento da câmara fria para investir em um caminhão de grande porte refrigerado para fazer o transporte mais longe”, conta.

Antes do Pronaf, Neto lembra que a sua renda vinha da comercialização das frutas na Ceasa, mas que desde 2013 não precisa mais levantar de madrugada para vendê-las.

Flávia Dias / Ascom

Ascom / MDA

Fonte : MDA

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