Projetos integrados

A longa agonia da Doux Frangosul reacendeu antigos questionamentos sobre os projetos integrados – sistemas de produção em que agricultores recebem insumos, assistência técnica e pagamento de grandes empresas pela criação de animais, por exemplo. Qual é a autonomia desses produtores? Até que ponto são “empregados” das indústrias, sem direitos trabalhistas? Os projetos integrados, em si, não são ruins. Foi esse sistema que permitiu o crescimento organizado da avicultura e da suinocultura no sul do país, e a emergência de uma modesta classe média no campo. Tudo depende dos contratos que unem (ou desunem) as partes. Quando as entidades representativas dos agricultores – geralmente familiares – fiscalizam essa relação, o negócio pode ser bom para os “integrados”. Somente nos casos de contratos “leoninos” (vantajosos apenas para a indústria) é que os produtores podem ser prejudicados. Como em qualquer relação comercial, o negócio tem de ser bom para os dois lados.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

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