Projeto que envolve aporte de R$ 1 bi em borracha é iniciado

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Produção de mudas destinadas ao projeto que será lançado hoje em Cassilândia (MS): meta é colocar no mercado 80 mil toneladas de borracha seca por ano

A Cautex Florestal, empresa do segmento de heveicultura, lançará hoje em Cassilândia (MS) a pedra fundamental do que promete ser o mais ambicioso complexo de borracha natural do país. Primeira tentativa de verticalização da cadeia, do plantio de mudas até o beneficiamento, o projeto pretende colocar no mercado cerca de 80 mil toneladas de borracha seca por ano até 2023 – mais da metade do que é produzido atualmente no país.

Segundo Getulio Ferreira Junior, diretor da Cautex, está prevista não apenas a construção de um viveiro e de uma usina de beneficiamento, mas também de um centro de treinamento e uma agrovila, que demandarão um investimento total de R$ 1 bilhão. As obras serão iniciadas ainda este ano. A expectativa é que a usina entre em operação em agosto de 2014, com produção inicial de 10 mil toneladas de borracha /ano.

Diferentemente de outros polos de produção de borracha natural no Brasil, o empreendimento da Cautex foi estruturado em parceria de 95 investidores – pessoas físicas e jurídicas. Esses parceiros detêm boa parte dos 40 mil hectares de área destinada à cultura e serão os fornecedores exclusivos da borracha à empresa. A Cautex é responsável pelo plantio, gerenciamento das florestas de seringueiras e pela comercialização da borracha seca que será produzida.

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Segundo Ferreira Junior, o empreendimento será erguido em Cassilândia devido ao fato de a região ainda ter grandes áreas disponíveis para o reflorestamento – sobretudo pastagens degradadas – e preços vantajosos de terra comparados com São Paulo, o maior Estado produtor de borracha natural do país. Pesaram também os incentivos fiscais oferecidos pelo município, inserido no Programa Mais Floresta, que definiu estratégias para o desenvolvimento florestal em Mato Grosso do Sul para atingir uma área plantada de 1 milhão de hectares até 2030.

"A borracha tem um retorno muito mais interessante", afirma Ferreira Junior. Isso apesar do investimento inicial mais alto (cerca de R$ 6 milhões para 100 mil árvores plantadas) e o retorno mais longo (sete anos, idade em que a árvore está preparada para a primeira produção de borracha). Para ele, isso explica o porquê de executivos de outros setores aderirem à heveicultura. São os caso de Luiz Henrique Araújo, consultor da Odebrecht, e de João Francisco Amaro, irmão de Rolim Amaro e um dos fundadores da TAM.

"A verdade é que quem tá produzindo, tá rindo à toa", diz Amaro, que conta ter ficado "intrigado" desde cedo com a cultura e hoje planta em Iturama, no Triângulo Mineiro. "Por hectare, a cana dá menos. A borracha oferece um retorno quatro vezes maior", complementa Araújo, dono de terras em Araçatuba, cidade paulista tomada nos últimos 15 anos por canaviais. Juntos, os dois executivos plantaram 260 mil seringueiras. As primeiras sangrias (corte do caule para o recolhimento da borracha fresca) serão entre 2013 e 2017.

DivulgaçãoGetulio Ferreira Junior, da Cautex Florestal: "retorno muito interessante"

A verticalização da cadeia de borracha em Cassilândia e o número de investidores atraídos para o negócio tem como pano de fundo o fato de que praticamente toda a produção dos seringais do país sai do campo já contratada. O Brasil tem um déficit significativo de borracha natural: produz uma média de 135 mil toneladas por ano, mas consome 385 mil.

Ferreira Junior viu nesses números um potencial de negócio e reposicionou sua então empresa produtora de mudas de seringueiras e fabricante de equipamentos para a extração de látex – a Polifer – e criou a Cautex.

A investida ameaça, ainda, a posição da Hevea-Tec como maior fornecedora de borracha natural para a indústria pneumática do país. A empresa de São José do Rio Preto (SP) fechou o ano passado com 17,7 mil toneladas produzidas e comercializadas, contra 13,5 mil em 2010.

Os produtores brasileiros de borracha também não têm tido do que reclamar em relação aos preços pagos nos últimos anos: 2011, por exemplo, foi de preços internacionais recordes (US$ 4 mil a tonelada), graças a quebras de safras nos países produtores do Sudeste Asiático e demanda aquecida no mercado interno. Hoje, voltaram para patamares mais realistas, mas ainda atraentes (R$ 3,10, a R$ 3,50 o quilo). Não é à toa que os produtores costumam referir-se ao cultivo de seringueiras como a "aposentadoria" para o produtor rural.

"Há uma vantagem nessa cultura agrícola que é a sua longevidade. Uma seringueira dura 50 anos. Não é nem coisa para [deixar para] filho. É pra neto", diz Amaro. "E quando ela parar de produzir é possível vender a sua madeira à indústria moveleira".

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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