Projeto prevê dique contra cheias no Parque Assis Brasil

Pode até demorar outros 50 anos para se repetir em uma Expointer o volume de chuva que inundou parte da área de máquinas agrícolas e de provas do cavalo crioulo, duas das maiores atrações do evento. Mas a solução para prevenir o problema, verificado na semana passada na mostra, em Esteio, é prevista no projeto de remodelação do Parque Assis Brasil em exame no governo estadual. A empresa M. Stortti, responsável pelo estudo e detalhamento das melhorias e novas edificações e usos nos 134 hectares do Assis Brasil, recomendou a construção de um dique no traçado do arroio Esteio, que transbordou, e aterro com custo de R$ 8 milhões. A inundação atingiu 47 dos 127 expositores de máquinas, dificultando vendas em pelo menos cinco dias dos nove de feira, e gerou descontentamento das empresas. Provas de cavalos foram transferidas.
Caso seja aceita pelo governo, a obra do dique poderia ficar pronta para a Expointer de 2014, assegura o sócio-diretor da M.Stortti, Maurenio Stortti. “É um pressuposto para o restante do projeto e traz maior nível de segurança. É aprovar e começar a fazer”, ressalta o sócio-diretor da consultoria, contratada pela Farsul, Simers e ABCCC por R$ 300 mil para fazer os estudos preliminares e projetos executivos da remodelação. O projeto completo é orçado em R$ 280 milhões e inclui centro educacional, parque tecnológico, museu do agronegócio, shopping e hotel. A maquete do complexo foi divulgada na feira de 2012. A inundação deste ano trouxe novamente à cena o debate da mudança de data da feira. O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, justificou, ontem, que o calendário de outras mostras de pecuária (antes e depois da Expointer) dificultaria a alteração.
A equipe da M.Stortti analisou a incidência de chuvas, identificou desníveis no terreno (o que gerou impacto diferenciado da precipitação), constatou a limitação de escoamento da água (ocupação urbana no entorno e implantação da BR-448 – que corta os fundos do parque – estreitaram o espaço para a água e endereçamento ao Rio dos Sinos) e lembrou queixas corriqueiras de expositores e visitantes sobre o efeito da chuva no local. “Fizemos pesquisa de opinião, e o barro foi a palavra mais citada”, acrescentou Stortti. O projeto sugere formação de aterro, que consumiria 260 metros cúbicos de terra, elevando o nível do terreno entre cinco e até 5,5 metros em alguns trechos mais baixos. A intervenção evitaria novas interdições dos estacionamentos de visitantes e expositores (portões 15 e 16) devido à inundação, como ocorreu entre segunda-feira e domingo.   
A direção do parque e a Secretaria Estadual da Agricultura, que lideram a mobilização pela parceria público-privada (PPP), não têm ainda definição sobre o dique e aterro. O secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, disse que ainda não havia feito uma análise mais profunda do projeto, entregue no começo da feira. Mainardi vai esperar a aprovação da PPP pela Assembleia Legislativa (AL). Depois disso, o secretário pretende acertar os contratos a serem firmados com os concessionários, como o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers) e a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). As duas organizações planejam edificações e melhorias nas áreas que poderão explorar por 25 anos, prorrogáveis pelo mesmo período. O governador Tarso Genro anunciou que repassará R$ 5 milhões à ABCCC para instalar a cobertura da pista onde é travado o Freio de Ouro.

Entidades estimam R$ 35 milhões em melhorias

O diretor do parque, Telmo Motta, adiantou que pretende entregar uma lista de prioridades para infraestrutura. “O aterro é solução para cheias. O governo vai dizer como fazer”, apontou Motta, que espera o fim de intervenções provisórias e sem planejamento. O gestor citou que eventuais contrapartidas dos parceiros deverão constar nos contratos. Na assinatura dos acordos, primeiro passo após o aval da Assembleia Legislativa, cada entidade terá de mostrar projetos para as áreas. ABCCC e Simers projetam R$ 35 milhões em melhorias e novas instalações.
“A ABCCC já tem projeto, o Simers não apresentou ainda”, informou Motta. O parque elabora, por enquanto, projetos para substituir os atuais pavilhões de bovinos e ovinos, internacional, artesanato e gado leiteiro, com R$ 12,2 milhões do Bndes, e construirá o segundo pavilhão da agricultura familiar, com R$ 3,1 milhões do Ministério da Agricultura. Os R$ 15,3 milhões já estão na conta bancária do Estado. Motta espera ter a estrutura pronta para a edição do próximo ano.
O presidente da ABCCC, Mauro Raimundi Ferreira, disse que a solução contra cheias terá de ser garantida pelo governo, mas afirmou que a entidade não deve participar do custeio da obra. Segundo o presidente da associação de criadores, o aterro dará maior segurança à área da pista e às demais instalações a serem montadas na primeira fase do projeto da ABCCC. Para 2014, a meta é instalar a cobertura da pista, cujo dinheiro foi prometido por Tarso Genro. Ferreira informou que novos recursos serão captados com a venda de camarotes, apoio por meio de lei de incentivo e renda de competições. O presidente do Simers, Cláudio Bier, espera que a PPP esteja firmada até dezembro, dando tempo para executar obras para 2014. Bier quer custear parte das melhorias com os quase R$ 2 milhões que o sindicato hoje tem de repassar ao governo como parte da renda das locações das áreas na feira.

Fonte : Jornal do Comércio | Patricia Comunello

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