Projeções do USDA mantêm grãos sob pressão

Divulgadas ontem, as novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre oferta e demanda dos principais grãos naquele país e no mundo nesta safra 2015/16 aumentaram a pressão sobre as cotações de milho, trigo e soja no mercado internacional.

Os ajustes mais profundos efetuados pelo órgão, que tem status de ministério, foram no quadro do milho. No front global, foram elevadas as projeções para estoques iniciais, produção e estoques finais, enquanto a previsão para a demanda ficou menor (ver infográfico nesta página). No caso dos EUA, subiram as estimativas para produção e estoques finais.

Como resultados do cruzamento dessas correções, as relações entre estoques finais e demanda ficaram mais confortáveis. Globalmente, os estoques finais passaram a representar 21,8% da demanda, enquanto as estimativas divulgadas em outubro produziam uma relação de 19,2%. No ciclo 2014/15, o percentual foi de 21,3%; em 2013/14, de 18,4%. No caso dos Estados Unidos, os estoques finais passaram a ser estimados em 14,8% da demanda total, ante 13,1% projetados em outubro e 14,6% no ciclo passado.

No cenário desenhado para o trigo, os ajustes promovidos pelo USDA no cenário global foram menos profundos do que os verificados no caso do milho, mas mais expressivos naquilo que o órgão espera que aconteça nos EUA. Nas duas situações, contudo, os quadros são bastante confortáveis. Os estoques finais globais em 2015/16 passaram a representar 31,7% da demanda total, ante os 31,9% projetados em outubro e os 29,9% de 2014/15. Já os estoques finais americanos agora equivalem a nada mais nada menos que 74,7% da demanda, ante os 70,6% estimados no mês passado e os 65% da temporada anterior.

No mercado de soja, finalmente, os cruzamentos de dados realizados a partir das novas estatísticas do USDA até podem ser considerados uma pouco mais "altistas", mas as comparações com o ciclo 2014/15 continuam a apontar uma oferta mais farta que nas últimas safras. Conforme os novos dados do USDA, os estoques finais globais da oleaginosa representarão 26,5% da demanda total em 2015/16. Em outubro, o percentual era maior (27,4%), mas em 2014/15 foi de 25,9% e em 2013/145, de 22,7%. No caso dos EUA, que deverão liderar a produção global, à frente do Brasil, os estoques finais previstos agora equivalem a 22,9% da demanda, ante os 21,1% projetados em outubro. Em 2014/15, o resultado dessa relação foi de 9,5%; em 2013/14, de apenas 5%.

Se os Estados Unidos tendem a manter a liderança na produção global da oleaginosa, o Brasil, de acordo com os dados do USDA, voltará a liderar as exportações. Os embarques brasileiros foram corrigidos para 57 milhões de toneladas, contra 46,7 milhões dos americanos. Se o órgão americano estiver correto, as exportações brasileiras empatarão com toda a colheita argentina, terceiro maior país produtor de soja.

Por Fernando Lopes, Mariana Caetano e Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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