PROGRAMA DE ESTÍMULO AO LEITE AVANÇA NO RS

Com a meta de dobrar a produção em uma década, o governo do Estado assina hoje, na Expodireto, o decreto que cria o ‘Mais Leite de Qualidade’, programa de incentivo ao uso de ordenhadeiras e resfriadores de até 500 litros. O investimento dos cofres públicos poderá ultrapassar R$ 84 milhões com a operacionalização de duas linhas de subsídio que atenderiam a 44 mil pecuaristas familiares com produção de até 200 litros/dia. A primeira é voltada para 40 mil deles e prevê aquisição por meio do Pronaf com prazo de 10 anos e quitação pelo Estado da décima parcela. Na segunda modalidade, criadores excluídos do crédito oficial teriam subsídio de 50% do governo. O restante do valor caberia à cooperativa para a qual o beneficiado entrega a produção, quantia a ser amortizada na conta de leite. Segundo o secretário da Agricultura, Luiz Mainardi, o gasto será compensado pelo incremento de R$ 346,6 milhões no ICMS, pela alta da produção (de 3,93 bilhões de litros) e nos equipamentos.

De acordo com o vice-presidente do Sindilat, Alexandre Guerra, o programa poderá resultar na qualificação da oferta e na melhor remuneração do produtor. Diretor administrativo da Santa Clara, ele conta que a cooperativa estimula o uso de resfriadores por parte de seus associados com R$ 0,02 a mais por litro. Contudo, afirma que o cumprimento da meta do Estado dependerá de assistência e incentivos fiscais às indústrias. O vice-presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, reconhece a importância da medida, mas alerta: é preciso haver uma garantia de que o governo vai pagar a última parcela daqui a 10 anos. ‘O programa pode alavancar, sim, a produção desde que tenha regras bem claras.’ Silva afirma que o Mais Água, Mais Renda, que funciona nos mesmos moldes, ainda não deslanchou por esse motivo. ‘O produtor paga para depois ser ressarcido. Aí, não dá.’

Raio X do setor

– O Rio Grande do Sul conta com cerca de 120 mil famílias produtoras de leite.

– Em 2011, a indústria de lácteos movimentou R$ 5,93 bilhões, o que representa 2,13% do PIB gaúcho.

– Os gaúchos consomem cerca de 40% dos lácteos produzidos no Estado, sendo o restante exportado para outros estados.

Fonte: Correio do Povo

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