Programa de baixo carbono do BB finalmente decola

Após forte campanha junto aos produtores rurais para fazer decolar o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), o Banco do Brasil (BB) atingiu a marca de R$ 507 milhões de desembolsos nessa linha entre julho de 2011 e a última segunda-feira. O ABC tem um orçamento de R$ 850 milhões no BB. Para efeito de comparação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou, até agora, apenas R$ 170 milhões dos R$ 2 bilhões disponíveis.

Criado em 2010, o ABC é considerado prioridade no BB, que busca elevar os empréstimos para incentivar a adoção de processos tecnológicos de neutralização ou redução da emissão de gases de efeito estufa, sobretudo o dióxido de carbono (CO2), no setor rural.

Até o fim de 2011, o desempenho do ABC vinha abaixo do esperado. A Diretoria de Agronegócios do BB decidiu, então, dar mais ênfase ao programa de estímulo a boas práticas agrícolas. Até dezembro passado, os desembolsos somavam apenas R$ 150 milhões no Banco do Brasil. "O programa começou devagar, mas fizemos muita divulgação para torná-lo mais amplo", diz o vice-presidente de Agronegócios do BB, Osmar Dias. "Trabalhamos na divulgação e criamos alternativas para ampliar a gama de financiamentos. E vamos conseguir um ótimo desempenho".

Para atingir a meta, Dias informa que o BB tem em análise uma carteira de 1.809 projetos – volume superior aos 1.690 aprovados até agora na safra atual 2011/12. Os recursos totais do ABC, até junho de 2012, somam R$ 3,15 bilhões. O programa pode ser contratado por produtores e cooperativas com limite de R$ 1 milhão por beneficiário. A taxa de juros é de 5,5% ao ano, com oito anos de carência e prazo de reembolso de até 15 anos. "O BB tem 75% a 80% de todo o ABC liberado no país, pois assumimos o programa devido a importância que ele tem", diz Osmar Dias.

O bom desempenho do ABC reflete o ritmo de desembolsos da carteira de crédito rural do BB. Na safra atual, já foram emprestados R$ 35,6 bilhões – de julho de 2011 a março deste ano. Isso significa um crescimento de 24,5% em relação ao mesmo período da safra 2010/11, quando foram financiados R$ 28,5 bilhões. Até agora, os chamados produtores empresariais obtiveram R$ 28,3 bilhões e os agricultores familiares, R$ 7,2 bilhões.

Fonte: Valor | Por Tarso Veloso | De Brasília

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