Programa ABC disponibiliza R$ 3,65 bilhões em 2015

Cuidar do meio ambiente é uma prática que tem crescido no Brasil. A agricultura, que antes somente desmatava, agora começa a dar mais atenção às questões ambientais. Prova disso é o aumento de 35,67% no número de contratos e no valor disponível pelo programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) para a safra 2014/15 em relação ao período 2013/14. Os dados foram divulgados no último relatório realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com dados do governo federal, a abrangência da área financiada pelo programa ABC aumentou em 20,29% no comparativo com o mesmo período da safra anterior. O número de contratos na temporada 2014/15 foi de 8.018, representando cerca de R$ 3,65 bilhões. De acordo com Elvison Ramos, coordenador de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos do Mapa, o recurso permitiu o financiamento, com tecnologias do ABC, de uma área próxima de 1,76 milhão de hectares.

No Paraná, a adesão ao programa ABC tem sido realizada principalmente pelos produtores de gado de leite. José Hess, engenheiro florestal da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), explica que os produtores de gado de leite, principalmente na região Sul paranaense, têm realizado o consórcio de pastagens com o plantio de florestas, chamado de sistema silvipastoril.

Muitos produtores ainda têm dúvidas de como funciona o consórcio entre atividades diferentes. Para resolver este problema, Hess afirma que o Estado deveria, por meio de entidades como o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ajudar o produtor a adotar sistemas conservacionistas de produção.

No caso da aliança entre gado de leite e floresta, Hess observa que os ganhos em produtividade de leite aumentam bastante. Isso porque na região Sul do Estado venta muito. O vento retira a umidade das plantas. Por causa disso, o rendimento do pasto é menor. Com o uso de floresta plantada no pasto, a árvore serve como se fosse um quebra-vento, retendo a umidade rente ao solo.

Outro benefício desse consórcio, segundo Hess, é o ganho em produtividade dos animais devido ao conforto e ao bem-estar que as árvores proporcionam. "Quanto menos stress um animal tiver, maior será a produção de leite ou de carne", observa o engenheiro florestal.

Mas o programa ABC não contempla somente a disponibilidade de recursos para a realização de consórcios, mas também ajuda financiar a adoção de boas práticas agropecuárias. Hess afirma que o Paraná já foi modelo na adoção de boas práticas de manejo como a adoção do plantio direto, uso de terraços, aplicação de insumos, entre outros. Hoje, ele percebe que a qualidade dessas ferramentas tem caído. "Precisamos reconstruir o que éramos", enfatiza Hess.

O programa ABC dá acesso ao financiamento de seis tecnologias agrícolas: recuperação de pastagens degradadas, adoção da integração lavoura, pecuária e floresta, sistema de plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, florestas plantadas e tratamento de dejetos de animais.
Dados do programa

Segundo informações disponibilizadas pelo Mapa, o programa alcançou os objetivos traçados no ano passado. Ao todo, o ABC abrangeu cerca de 105% da meta para florestas plantadas, 80% para o plantio direto e 40% para a recuperação de pastagens degradadas.

Ainda segundo o governo, as capacitações de técnicos e produtores nas tecnologias do ABC totalizaram 5.656 no ano passado. Isso, de acordo com o Mapa, representa um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram realizadas 4.503 capacitações. Os convênios com os estados, universidades e centros de pesquisas no ano passado somaram R$ 2,8 milhões, um incremento de 106% se comparado com 2014.


Folha Web

Fonte: Famasul

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