Produtos básicos ainda ‘patinam’

Potência na soja e com força crescente no milho, apesar da queda da área plantada com o cereal nesta safra, o Brasil caminha para se tornar um importador regular de produtos básicos como arroz e feijão, além do trigo. Para a dupla mais popular no prato do brasileiro, a Conab até estima incrementos das áreas plantadas e das colheitas em 2013/14, mas em geral pequenos e que não representarão mudanças de patamares em relação às últimas temporadas, marcadas por uma relativa estagnação.

Conforme a autarquia ligada ao Ministério da Agricultura, a área plantada com arroz deverá ocupar entre 2,391 milhões e 2,411 milhões de hectares. O limite inferior é exatamente a área que foi cultivada em 2012/13. A colheita está projetada em um intervalo entre 11,917 milhões e 12,029 milhões de toneladas, um aumento de até 2,4% na mesma comparação. Desde 2000/01, o volume variou de 10,386 milhões e 13,613 milhões de toneladas, com altos e baixos.

No feijão, a área ficará entre 3,134 milhões e 3,163 milhões de hectares em 2013/14 e a colheita, entre 3,215 milhões e 3,248 milhões de toneladas. Nesse caso o aumento poderá chegar a 14,7%, mas porque houve adversidades climáticas no ciclo passado que baixaram o volume ao menor nível da série histórica da Conab, iniciada em 1976/77. Em 2011/12, por exemplo, a produção brasileira de feijão foi de 3,262 milhões de toneladas, até então a mais magra.

Ocorre que, diante de um consumo doméstico relativamente estável, arroz e feijão estão perdendo espaço para culturas mais rentáveis, como soja e milho, e as medidas de incentivo testadas pelo governo nos últimos anos não têm sido capazes de quebrar essa tendência. Pelo contrário. Produtores do Rio Grande do Sul, maior celeiro de arroz do país, testam há pelo menos duas safras a semeadura de soja em áreas alagadas antes dedicadas ao cereal, com resultados favoráveis.

Como observou Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, em recente entrevista ao Valor, a própria redução de terras disponíveis para plantio em Mato Grosso também limita a produção de arroz, já que a cultura normalmente era usada para a abertura de áreas novas de produção antes do início do plantio de soja. Mendonça de Barros está entre os especialistas do setor que projetam que o Brasil passará a importar regulamente arroz e feijão nos próximos anos, em que pese os reflexos dessa tendência sobre os preços domésticos dos produtos, que já passaram a pressionar os índices inflacionários com mais frequência.

Na safra 2013/14, as importações de arroz poderão alcançar 1 milhão de toneladas, como em 2012/13, e as exportações estão estimadas pela Conab também em 1 milhão de toneladas. No feijão, as importações poderão atingir 400 mil toneladas nesta safra, e as exportações chegarão a 50 mil.

© 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3299510/produtos-basicos-ainda-patinam#ixzz2hK0XGnv0

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes e Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *