Produtos agropecuários recuam 1,8% em maio

Fonte: Valor | Arícia Martins | De São Paulo

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) acelerou apenas 0,03% entre abril e maio, menor taxa mensal registrada desde dezembro de 2009, quando foi verificada queda de 0,5% no indicador. O movimento atual foi puxado por uma deflação de 1,84% em produtos agropecuários, e uma alta nos produtos industriais, de 0,72%, inferior ao esperado pelo mercado.

A quase estabilidade no Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, surpreendeu analistas de inflação. Enquanto a previsão mediana do mercado era de uma taxa de 0,6% em maio, ele variou 0,43%, um pouco abaixo do avanço de 0,45% registrado em abril. Segundo Salomão Quadros, economista da FGV e coordenador do índice, existem condições para o IGP-M continuar recuando. "No próximo mês, o movimento de desaceleração vai dar mais um passo. A partir de maio, esse movimento começou a se tornar mais nítido."

Fábio Romão, economista da LCA Consultores, previa um IGP-M de 0,56% para maio. "Esperávamos que o minério tivesse alta mais intensa", explica. Commodity com mais peso na alta do IPA industrial, o minério de ferro avançou 9,3% na atual leitura, contra taxa de 0,59% no mês anterior. O aumento, embora expressivo, veio abaixo do esperado pelos economistas, já que esse preço é reajustado de três em três meses, por contrato.

A deflação de 13,34% no álcool hidratado dentro do IPA, contra alta de 11,79% em abril, assim como a desaceleração na gasolina, foram outros movimentos mais acentuados do que o previsto por Romão. O álcool anidro, componente da gasolina, teve elevação de 5,85% neste mês no atacado, após aumento de 33,14% em abril.

O economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, destaca o que chama de "falso negativo": como o mercado estava trabalhando com um cenário muito pessimista, é normal que haja surpresa em alguns itens, e que as expectativas sejam revisadas para baixo de agora em diante. Perfeito, que havia previsto um IGP-M de 0,61% neste mês, agora trabalha com uma taxa de 0,37% para junho. economista ressalta que o IPC ainda veio em patamar desconfortável, com alta de 0,9%, diante de elevação de 0,78% em abril. "O grupo alimentação ainda subiu (de 0,87 para 1,09%), e ocorreram choques em habitação por conta de reajustes de tarifas de água e eletricidade."

Esses itens, dizem os economistas, devem deixar de pressionar a inflação a partir de junho e, aliados a uma continuação da queda no IPA agropecuário, assim como na deflação do álcool e possível igual movimento na gasolina, trarão os preços ao consumidor para baixo no próximo mês. Essa é também a expectativa do Banco Central, para quem a taxa mensal de inflação no país deverá ficar próxima de zero em um prazo de dois a três meses, segundo disse ontem, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes. "Principalmente os preços dos alimentos devem cair o que refletirá numa forte queda no curto prazo", disse.

Mendes afirmou que o governo continuará usando a taxa básica de juros (Selic) como principal instrumento para conter a demanda e, indiretamente, ajudar a manter a inflação sobre controle. O BC, disse ele, também continuará a adotar "medidas macroprudenciais" como expediente adicional para adequar os níveis do crédito à realidade do país e evitar o endividamento excessivo das famílias. (Com Agência Brasil, do Rio)

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