Produtores tentam reagir a escândalo

Decon admite indiciar industriais por adulteração

Motivo de irritação para os consumidores, a alta do preço do leite impediu a desestruturação da cadeia no Estado, disse ontem Ernesto Krug, presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL). O risco de desmonte teria sido o escândalo da adulteração do produto com água e ureia contendo formal, revelado em maio.
Responsável por um dos inquérito ligado à fraude, o delegado Fernando Soares, da Delegacia de Proteção ao Consumidor (Decon), admitiu a possibilidade de empresários ligados a indústrias serem indiciados criminalmente pela fraude.
– Ainda que sejam absolvidos, é educativo que respondam um processo penal – afirmou Soares.
Há 37 anos atuando no setor leiteiro, Krug afirmou ontem, em debate sobre as consequências do escândalo, que a melhor remuneração para o produtor evitou o desestímulo a investimentos de pecuaristas e a consequente redução da oferta.
O presidente da AGL avaliou que, para recuperação da credibilidade do segmento, o primeiro passo é as indústrias passarem a privilegiar a qualidade do leite – e não o volume entregue – ao estabelecer a remuneração aos produtores.
Krug sustentou ainda que é necessário recriar uma relação direta dos laticínios com os produtores, banindo a figura do transportador como um intermediário que compra leite dos criadores e revende para a indústria. A operação Leite Compen$ado descobriu que transportadores adicionavam água e ureia com formol ao leite entregue para os laticínios. Entusiasta do segmento, Krug disse que o Brasil tem condições de ser um dos grandes exportadores mundiais de lácteos, mas primeiro é preciso assegurar a oferta de leite de qualidade para o consumidor dentro do país. – Temos uma grande oportunidade de tirar um aprendizado desta situação ruim que aconteceu – propôs.
O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, anunciou que, no próximo dia 5, será enviado para a Assembleia projeto que prevê a criação do Programa de Desenvolvimento da Cadeia do Leite (Prodeleite). A intenção é que a iniciativa englobe pontos como melhoria genética do rebanho e da assistência técnica e sanidade. Mainardi reafirmou que a intenção é levar o Estado a dobrar a produção em 10 anos, objetivo já definido pelo atual governo. Atualmente, são 10,5 milhões de litros por dia.

Fonte: Zero Hora

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