Produtores pressionam por juros menores

Jorge William /Agência O Globo

Palanque de peso em Rio Verde: Blairo Maggi (esq.), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), Temer e Meirelles

O presidente Michel Temer confirmou ontem, em evento realizado em Rio Verde (GO), a oferta de R$ 12,5 bilhões para produtores rurais adquirirem antecipadamente insumos e serviços agropecuários (o chamado pré-custeio) para a próxima safra de grãos (2018/19). O montante é levemente superior ao ofertado no início do ano passado para financiar o pré-custeio do ciclo 2017/18 – R$ 12 bilhões, dos quais R$ 10,8 bilhões foram de fato liberados.

Os recursos são do Banco do Brasil e terão taxas de juros menores que as do ano passado. Os médios produtores pagarão encargos de 7,5% ao ano. A taxa para os demais será de 8,5% ao ano, segundo o BB. Em 2017, os encargos começavam em 8,5% anuais e subiam para contratações maiores. Presente no evento, o presidente da instituição, Paulo Caffarelli, disse que as novas taxas permitirão que o BB tenha "participação bastante agressiva no agronegócio". O banco é líder em desembolsos de crédito rural no país.

Apesar do tom otimista do governo com os juros para o pré-custeio, Antonio Chavaglia, presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), cobrou de Temer e Caffarelli taxas de juros ainda menores para o crédito rural em geral. Em documento entregue a Temer, Chavaglia disse que os encargos cobrados para investimentos, custeio, pré-custeio e armazenagem no âmbito do próximo Plano Safra (2018/19), que entrará em vigor em 1º de julho, podem cair mais.

"Os patamares de juros hoje cobrados [no âmbito do Plano Safra 2017/18, que entrou em vigor no início do ano passado] são incompatíveis e incoerentes com a importância do setor pra economia do país", afirma no texto. Ele cobrou também a duplicação da estrada que liga Rio Verde a Itumbiara (GO), mais próxima dos mercados do Sul e Sudeste, e a conclusão da Ferrovia Norte-Sul.

Para o pré-custeio da safra 2018/19, será possível financiar as lavouras de soja, milho, arroz, algodão e café, com teto de R$ 3 milhões por produtor. Clientes que necessitem de mais dinheiro poderão recorrer a outra modalidade de financiamento com o BB, com funding da LCA (Letra de Crédito do Agronegócio).

No mesmo evento em Rio Verde, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), reiterou que está preocupado com a diminuição da renda dos produtores de grãos, apesar do aumento da produtividade por causa dos investimentos em tecnologia e das safras recordes dos últimos anos.

"Tenho sempre preocupação com a renda do produtor. Infelizmente o nosso produtor vem crescendo na produtividade com tecnologia, mas as margens têm ficado menores. Isso é um problema", disse. Em boa parte da safra passada os preços de commodities como soja e milho se mantiveram deprimidos nos mercados doméstico e externo, e o cenário não melhorou muito na atual temporada, que está em fase de colheita.

Nesse contexto, Blairo cobrou que o governo não mexa na Lei Kandir ou aumente os impostos para o agronegócio, duas propostas defendidas por governadores diante do quadro fiscal do país. "Não façam isso. Não mexam com o agricultor porque é ele que dá sustentação a isso [crescimento da economia brasileira]", afirmou o ministro.

"Não temos nenhum projeto de taxar exportação. As experiências de impostos sobre exportação, como feitas por alguns países, não foram bem-sucedidas", respondeu no mesmo evento o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo ele, impostos sobre exportações são contraprodutivos do ponto de vista econômico.

Por Raphael Di Cunto | De Rio Verde (GO)

Fonte : Valor

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