Produtores pedem definição do percentual de etanol na gasolina

Os produtores de cana-de-açúcar querem garantias do governo sobre o futuro do etanol antes de arriscar novos investimentos. Para a Unica, que reúne o conjunto dos produtores, o governo pode até baixar o preço do combustível, mas terá de garantir o custo do projeto etanol se quiser aumento na produção.

"Reivindicamos uma definição clara da participação do etanol na matriz de combustíveis daqui a 20 anos. Queremos que o investidor tenha uma previsibilidade para saber que o investimento manterá a regra do jogo, independentemente da política interna de preço de gasolina", afirmou Antonio de Pádua Rodrigues, presidente interino da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), durante encontro sobre energia promovido pela Fiesp em São Paulo.

No biênio 2008/2009, de acordo com Rodrigues, 30 novos projetos entraram em operação. "Mas até 2015 apenas quatro novas unidades deverão ser construídas. E não existem projetos previstos para início de operação após essa data", advertiu.

O setor sucroalcooleiro, pelas suas contas, requer investimentos de R$ 130 bilhões para voltar a crescer e retomar a participação do etanol de 50% na matriz brasileira de combustíveis. Segundo ele, esses recursos seriam utilizados na construção de 100 novas usinas para produção apenas de etanol. Em 2010, o etanol chegou a representar 44,6% do total de combustíveis utilizados no Brasil. No final de 2011, a participação caiu para 31,68%. Nesses investimentos não está incluída a produção de açúcar, afirmou. Para o professor Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei – MG), a produção caiu 30% desde 2008. "O Brasil passou a importar etanol. A causa está associada à perda de competitividade determinada essencialmente pela intervenção governamental na formação de preços da gasolina, mantidos em níveis artificialmente baixos", frisou.

Para o presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, "não há justificativa econômica nem lógica para a manutenção da gasolina em patamares baixos". Ele avalia que a defasagem de preço já ocorria, mas era mascarada pelo câmbio em torno de R$ 1,5. Segundo especialistas, a manutenção do preço artificial da gasolina há mais de cinco anos é o principal motivo da perda de competitividade do etanol no mercado doméstico. Para o presidente interino da Unica, a competitividade do etanol hoje está restrita ao Estado de São Paulo, responsável pelo consumo de 60% do combustível renovável. "Como é incerto o aumento do preço da gasolina, o setor terá de encontrar formas de redução de custo para voltar a ser competitivo".

Em 2020, dependendo da taxa de crescimento da frota e do Produto Interno Bruto (PIB), a demanda de combustível quase que dobrará comparada aos níveis atuais, diz Padua Rodrigues. "Hoje o Brasil tem uma demanda da ordem de 45 milhões de litros e o etanol está participando com 36% dessa demanda. Se em 2021 a demanda estará na casa dos 75 a 76 milhões de litros em gasolina, o consumo do etanol dependerá da sua participação nesse combustível", afirmou.

Nastari observou que a participação brasileira do etanol na gasolina é bem maior que a meta dos Estados Unidos e da União Europeia. Nos Estados Unidos, a meta é sair dos 9,5% atuais e atingir 20% da matriz em 2022. Na União Europeia, a meta é chegar a 10% de participação de etanol até 2020. Hoje, o índice é de 3,4%.

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Fonte: Valor | Por Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo

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