Produtores europeus temem maior abertura da UE a frutas cítricas

A central agrícola europeia Copa & Cogeca voltou a atacar ontem as negociações conduzidas pela Comissão Europeia com o Mercosul em busca de uma maior liberalização comercial entre as partes, desta vez por considerar que uma maior abertura tem potencial para "fragilizar enormemente" o controle fitossanitário da UE na importação de frutas cítricas do bloco sul-americano e mesmo de outras regiões.

Segundo a entidade que representa os produtores do Velho Continente, conhecida por suas posições protecionistas, a nova proposta poderá, na prática, facilitar a entrada de citros com a "doença da mancha preta", que já teria sido detectada em importações originárias de Brasil, Argentina, Uruguai e África.

Para a Copa & Cogeca, uma maior abertura, nesse contexto, é "totalmente inaceitável" tendo em vista que mais de 100 casos de doenças altamente contagiosas teriam sido detectados nas fronteiras europeias. Segundo a central, as estatísticas da UE mostram a identificação de 13 casos de importações de citros do Brasil com doenças, 17 da Argentina, 15 do África do Sul e 70 do Uruguai, números que excederam o limite fixado pelas autoridades fitossanitárias europeias, de cinco por país.

A entidade insiste que a UE não pode enfraquecer o controle sobre citros importados para uso no processamento. E mostra-se particularmente irritada com o atraso no controle no caso de frutas do Uruguai, que só serão submetidas a medidas de salvaguardas a partir de janeiro de 2017. "Isso é inaceitável, já que a doença da mancha preta não existe na Europa e sua presença poderia ter sérias consequências sobre o setor de citros em países produtores".

Por Assis Moreira | De Genebra
Fonte : Valor

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