Produtores do oeste de Santa Catarina trocam trigo pela soja na busca de lucratividade

Com alguns cuidados extras, agricultores de São Domingos estão migrando para a soja no período da safrinha e obtendo resultados positivos

Renata Silva/Embrapa

Foto: Renata Silva/Embrapa

Plantar soja no período da safrinha está se tornando opção rentável para produtores do oeste de Santa Catarina

Na tentativa de aumentar os lucros, produtores da região de São Domingos (SC) estão migrando da cultura do trigo para a da soja no período da safrinha. Essa opção, no entanto, exige cuidados extras na lavoura.

O produtor rural Gabriel Zilio plantou duas safras, a primeira com soja normal e a segunda com soja transgênica. Na primeira, colheu cerca de 60 sacas por hectare. Na segunda, espera colher mais 40 sacas. Zilio diz que escolheu plantar dessa forma para tentar aumentar a lucratividade.

– Buscamos a comercialização da soja convencional, que tem um valor a mais, e uma bonificação para a produção de sementes com essa safrinha de soja transgênica. Tenho amigos que fazem esse manejo há dois, três anos, e acabamos optando por isso para buscar lucratividade – diz Zilio.

O engenheiro agrônomo Darci Baggio explica que essa é uma tendência na região, já que a cultura do trigo é de risco e tem um mercado incerto. O produtor só deve tomar cuidado para não antecipar demais a primeira safra de soja.

– O cuidado que o produtor deve ter é não antecipar muito a primeira safra. É fundamental fazer essa safra bem feita. A segunda safrinha tem que apenas acontecer, conforme a condição climática e o rodízio dentro da propriedade. Na segunda safra, o manejo da safrinha exige cuidados maiores – fala Baggio.

O produtor que optar pela segunda safra de soja deve ficar atento também às pragas, alerta Baggio. Como muitas lavouras vizinhas ainda estão no período de colheita, as pragas podem acabar migrando para as novas plantações.

– Como nas lavouras vizinhas acontece a colheita, vem a migração do percevejo, que migra para a área de soja safrinha. Se não houver um controle dessa praga, tem-se uma lavoura inviabilizada – explica Baggio.

A adubação também é um ponto que o produtor precisa observar, pois há diferenças para a primeira e a segunda safra. Apesar dos riscos que o produtor enfrenta, Baggio acredita que a segunda safra pode dar retorno ao produtor.

– A adubação não é a mesma da primeira safra. Pode-se reduzir um pouco da utilização do fósforo. Já a adubação com potássio é necessária para melhorar a produtividade e evitar doenças. É uma atividade de risco, sim, mas ela é possível e tem dado rentabilidade – conclui.

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr

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