Produtores de tomates aumentam os lucros

Alta do produto no varejo tem reflexos positivos na rentabilidade dos agricultores, que recuperam perdas de 2012

“Caixa eletrônico já era, o lance agora é caixa de tomate”, diz uma peça compartilhada por internautas na rede social Facebook, onde um ladrão fictício opta por roubar tomates em vez de dinheiro. Os altos preços do produto estão gerando estranhamento nos consumidores, a ponto de motivar piadas na web. Entre os produtores, também há motivos para rir, porém, por outra razão: o lucro, que também vem crescendo com a elevação no valor de comercialização do item.
Segundo cálculo do Dieese, o tomate fechou o mês de março deste ano 197,10% mais caro na comparação com março de 2012. Na Ceasa de Porto Alegre, o preço médio do quilo do tomate longa vida para o varejo no dia 4 de abril deste ano estava em R$ 3,00. Em 5 de abril do ano passado, o valor era de R$ 1,00.
O produtor Junior Boito, de Nova Bassano, destaca que, em função da alta no preço dos insumos, a elevação de 197,10% para o consumidor não chega a ser repassada integralmente aos agricultores. Ainda assim, ele afirma que o preço está bom, chegando a incidir em um aumento de 50% no faturamento quando comparado ao mesmo período do ano passado. “Sabemos que o povo não come muito em função do preço, que está mais alto, mas com certeza o lucro está melhor”, diz Boito.
Já o agricultor de Nova Pádua Danilo Pilatti, vem registrando ganhos ainda maiores. Enquanto no ano passado a caixa de 22 quilos era vendida a R$ 10,00, hoje o mesmo volume é comercializado a R$ 70,00. Com o forte avanço dos preços, Pilatti já prevê que mais produtores investirão na cultura para a próxima safra, o que poderá reduzir os valores pagos em 2014. “Esse teria que ser sempre o preço para nós, antes não dava para cobrir os custos”, argumenta.
De acordo com o técnico da Emater Enio Todeschini, a variação nos preços do tomate é baseada em três fatores centrais. O primeiro é a diminuição da área cultivada, frente a prejuízos observados por boa parte dos produtores em 2012. “Ano passado sobrou muita fruta, tiveram produtores que eu conheci que nem chegaram a colher, pois a mão-de-obra não pagava o custo de produção”, afirma Todeschini, que estima uma redução de cerca de 30% na área tradicionalmente destinada à cultura.
Outro fator relevante para oscilação do preço é o clima. Todeschini lembra que em setembro de 2012 foram registradas ocorrências de geada na Serra gaúcha, justamente numa época do ano em que os tomateiros estão em franco crescimento para, em outubro, iniciar a primeira colheita. Uma segunda colheita é realizada no início do outono, normalmente em março. “Essa geada matou muitas plantas, o tomateiro é muito sensível ao frio.”
A redução na área plantada não é vista somente no Rio Grande do Sul, mas em outros estados produtores, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás. O clima nessas localidades também não colaborou com a cultura e, com isso, há uma concorrência maior pelos tomates produzidos no Estado. “A oferta aqui é pouca, e está sendo repartida com o abastecimento do Centro do País”, alega o técnico da Emater. Para Todeschini, com a menor disponibilidade da fruta cultivada em outros estados, as oscilações no preço do tomate devem ficar menores, mantendo a tendência de preços altos.

Analista aponta que preços devem  cair em todo o País a partir de maio

Os preços do tomate em todo o País tendem a cair em maio, com a chegada ao mercado da safra de inverno. A previsão é do analista Fabrício Quinalia Zagati, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), que tem uma equipe dedicada ao acompanhamento diário do mercado brasileiro dos produtos hortifrutícolas. Com o pico de produção da safra de inverno do fruto entre maio e junho, o consumidor deve pagar menos pelo produto nos próximos meses, aliviando a pressão sobre a inflação.
Na opinião de Zagati, apontar o tomate como o “vilão da inflação” é uma injustiça com o agricultor, pois em abril do ano passado o preço do fruto no campo, na média nacional, era de R$ 12,00 a caixa de 22 quilos. O valor era insuficiente para cobrir o custo de produção. O analista argumenta que o produtor neste ano chegou a receber R$ 100,00 pela caixa de tomate justamente por causa do desestímulo provocado pelos baixos preços do ano passado, que levaram a uma redução de 20% na área da safra de verão, que foi plantada no segundo semestre e colhida a partir de dezembro de 2012.
O analista afirmou que nos contatos diários com as fontes de mercado, o Cepea apurou que, mesmo com os altos preços do tomate nos primeiros quatro meses deste ano, a expansão da área não deve ser expressiva no plantio de inverno, por causa do temor de que o excesso de oferta mais uma vez pressione os preços e também devido à limitação de área disponível e à falta de mão de obra. A estimativa é de aumento de área entre 3,5% a 5% nas principais regiões produtoras.
Zagati não acredita que a isenção da tarifa de importação de 10% seja suficiente para resolver o problema de alta de preços do tomate com a vinda de produtos do exterior. O analista considera difícil a importação da China, por causa da questão de preços para colocar o produto no mercado brasileiro e também de qualidade, pois o tomate de mesa é um produto de “vida de prateleira curta”.
A tendência para os próximos meses, segundo Zagati, é de queda de preços do tomate, mas os valores devem ser superiores aos da safra de inverno de 2012.

Fonte: Jornal do Comércio

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