Produtores de MT relatam problemas na entrega de insumos

Entidade visitou fazendas no Estado e registrou atrasos de até 30 dias; produtores também reclamam de "inoperância" do governo sobre políticas para o setor

por Globo Rural On-line

   Divulgação

Equipe da Aprosoja durante pesquisa sobre insumos recebidos por produtores do MT; atraso e falta de qualidade estão entre as reclamações

A entrega de insumos continua atrasada em algumas propriedades de Mato Grosso, segundo averiguação daAssociação dos Produtores de Soja (Aprosoja) divulgada nesta quinta-feira (18/10). Na última segunda, a entidade iniciou a primeira rodada do Circuito Tecnológico, cujo objetivo é levantar a situação da qualidade dos itensentregues aos produtores do Estado. Em um dos locais visitados, a fazenda Restinga Seca, em Deciolândia, por exemplo, o atraso já passava de 30 dias.
A fazenda Santa Marta, na mesma região apresentou o mesmo problema. Segundo Cristiane Neves, da associação, a demora na entrega do glifosato, herbicida utilizado nas lavouras de soja, já chega a 10 dias. “O produtor nos informou que pegou emprestado com o vizinho”, disse.
Outra questão identificada pelas equipes da Aprosoja é aqualidade dos insumos entregues aos produtores. Carlos Belló, de Tapurah, relatou que as sementes que comprou não chegaram na quantidade correta. “Ele nos informou que comprou 40 quilos de semente, mas recebeu 38 quilos, 39,5 quilos. Outros produtores também reclamaram do mesmo problema. Além do baixo vigor e germinação das sementes”, disse Eliandro Zaffari, que coordena uma das equipes responsáveis pelas averiguações. O atraso na entrega dos insumos não é a única questão com a qual os produtores do Mato Grosso têm lidado ultimamente. Lideranças do setor produtivo do Estado se reuniram na última terça-feira (16/10) para deliberar e definir as ações a serem tomadas em relação à postura do governo quanto ao agronegócio. Segundo entidades, as autoridades se mostram inoperantes e arbitrárias em decisões sobre o setor. Dessa maneira, a Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), a Aprosoja, a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e a Associação dos Criadores (Acrimat), decidiram entrar com as ações institucionais ou judiciais contra a “falta de atenção” do poder executivo.

Mais problemas

Entre os problemas pontuados pelos representantes, estão o de decretos e portarias publicados constantemente paraaumentar a carga tributária. Somente este ano, a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) editou 870 atos (decretos, portarias). Isso equivale a quatro atos editados por dia. Segundo as entidades, as medidas geram dúvidas einsegurança jurídica aos produtores. Entram na lista de reivindicações ainda o sucateamento do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), a lentidão na tramitação de processos na Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e a falta de transparência na aplicação de recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).

O presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, afirma que o setor produtivo é forte e organizado e não admite ser ignorado. “Sempre procuramos manter um diálogo com o governo do Estado, mas o que é combinado em uma sala de reuniãonão é cumprido”, disse. Já o presidente da Famato, Rui Prado, pediu celeridade nos processos que passam pelas secretarias estaduais e efetividade nas ações articuladas junto ao governo de Mato Grosso. “Não é possível mais suportar as altas cargas tributárias estaduais. Além disso, os recolhimentos não são investidos no seu fim, como é o caso do Fethab”, reforçou.

Fonte: Globo Rural

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