Produtores apostam no inverno de 2012

Somente com o trigo, previsão inicial da Conab é que agricultores gaúchos ampliem a área cultivada em até 10%

CLAUDIO FACHEL/ARQUIVO/JC

Luiz Ataídes Jacobsen é engenheiro-agrônomo da Emater-RS.

Luiz Ataídes Jacobsen é engenheiro-agrônomo da Emater-RS.

Os produtores gaúchos que tiveram perdas com a estiagem no verão devem aumentar a área plantada com as lavouras de inverno na tentativa de recuperar parte dos prejuízos. À medida que chega ao final a colheita da soja e milho no Estado, várias áreas já têm iniciado a semeadura das novas culturas, especialmente de trigo.

Segundo a Emater-RS, na Fronteira-Noroeste os triticultores começaram o plantio das primeiras lavouras. A maioria dos produtores ainda está finalizando os projetos de custeio para essa safra, realizando reservas dos insumos e dessecando as áreas destinadas ao trigo. Diante do atual quadro da estiagem e da frustração das lavouras de verão, especialmente de soja, muitos produtores estão procurando crédito de custeio para o trigo, o que pode resultar em um aumento de área para cultivo do cereal na safra que se inicia.

Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em abril indica que Rio Grande do Sul deverá ter um aumento de 10% de área cultivada de trigo neste ano em relação à safra passada, quando foram plantados 932.360 hectares. “O agricultor está tentando buscar uma saída para as dificuldades financeiras causadas pela estiagem, e no Estado não temos outra alternativa senão investir em espécies de inverno, como trigo, cevada, aveia e canola”, explica Luiz Ataídes Jacobsen, engenheiro-agrônomo da Emater-RS.

Jacobsen lembra que um dos fatores que deve incentivar o plantio de trigo no Estado é a tendência dos produtores paranaenses em reduzir as suas lavouras no mesmo período. No Paraná, devido às condições climáticas diferentes, os agricultores têm a possibilidade de ocupar suas áreas com uma segunda safra de milho.

“Como o valor desse grão no mercado está muito atraente, eles devem certamente priorizar esse plantio. Dessa forma, a produção de trigo lá deve cair, o que deve puxar os preços para cima.”

Na última safra, conforme a Emater-RS, o Rio Grande do Sul colheu 2,7 milhões de toneladas de trigo, com uma produtividade de 2,9 mil quilos por hectare. Neste ano, de acordo com Jacobsen, o rendimento deve ser menor, em torno de 2,5 mil hectares. “Em 2011 o cereal registrou a maior produtividade média da história no Estado, portanto é natural esperar uma queda agora em 2012. Mas se tivermos um aumento de área expressivo podemos repetir o volume colhido.”

Já os produtores de canola realizam, no momento, a dessecação das áreas que irão receber a oleaginosa na Metade Norte do Estado. Somente na região do Planalto, a área cultivada deverá atingir 20 mil hectares, um incremento de 3 mil hectares em comparação a 2011. A frustração dos agricultores com as safras de primavera e verão também deve se refletir em um aumento na área cultivada com cevada no Rio Grande do Sul. Na safra anterior, foram cultivados cerca de 34 mil hectares no Estado. De acordo com a Emater-RS, os produtores do grão também estão em busca de crédito rural e adquirindo os insumos.

O plantio de lavouras de inverno também é incentivado como uma forma de recomposição do solo após um período de estiagem. Segundo Anderson Santi, pesquisador da Embrapa Trigo, em função da seca houve pouca produção de palhada para a cobertura do solo, que fica exposto às enxurradas típicas de inverno e de primavera. “Se o produtor não quiser investir em lavouras comerciais, seria necessário semear, ao menos, uma cultura de cobertura. O solo necessita de plantas, especialmente gramíneas, com raízes capazes de romper o adensamento e promover a formação de palhada para os cultivos de verão”, diz Santi.

O pesquisador lembra que um resultado melhor ainda é reservar um terço da área de verão para o milho, promovendo uma recuperação em longo prazo, através da rotação de culturas. “Às vezes, pensar em economia neste ano pode acarretar problemas no ano seguinte. Precisamos estar preparados para amenizar os prejuízos que o clima tem imposto à produção de grãos”, conclui Santi.

Fonte: Jornal do Comércio |  Marcelo Beledeli

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