Produtor se retrai e contratos de crédito rural recuam 18,1%

 

Percentual de contratação desacelera no primeiro semestre desta safra; operações ficam mais caras e volume financeiro sobe para R$ 76,491 bilhões

A maior parte dos recursos tomados  é utilizada para custeio, como a compra de  insumos para o  plantio

A maior parte dos recursos tomados é utilizada para custeio, como a compra de insumos para o plantio
Foto: Divulgação

São Paulo – A conjuntura formada por aumento de juros, retração dos bancos e falta de confiança do produtor resultou em uma redução de 18,1% nas operações de crédito rural entre os meses de julho e dezembro do ano passado.

Parte da queda nas tomadas de recursos da safra 2015/2016 se deve a uma maior seletividade dos bancos em um cenário de aumento de risco, disse a jornalistas o ministro interino da Agricultura, André Nassar, ontem (14). No momento, os produtores "claramente" estão reduzindo seu apetite por investimentos.

Somente o custeio respondeu por 67% dos recursos já contratados, somando 298 mil operações (incluídos grandes e médios produtores), de um total de 388,58 mil. Esses recursos são usados, por exemplo, para compra de insumos, plantio, tratos culturais e colheita.

Segundo Nassar, o percentual de contratações atingiu 41% dos R$ 187 bilhões anunciados no início do Plano Safra vigente. No mesmo período do ciclo passado, a contratação equivalia a 49% do total. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), projetadas para injetar recursos no programa, não "decolaram" como o esperado. Com isso, o representante da pasta já estima que os financiamentos não devem atingir todo o montante disponível.

"Os financiamentos com recursos da LCA tiveram início na atual safra, então os bancos ainda estão se adaptando. Estamos estudando com calma o cenário e vamos propor medidas que permitam às instituições financeiras serem mais agressivas no uso da LCA", ressalta.

Embate financeiro

Mesmo com a queda, o volume financeiro ficou praticamente estável, ao passar de R$ 76,304 bilhões para R$ 76,491 bilhões no comparativo avaliado, ou seja, o crédito está efetivamente mais caro.

O presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, disse ao DCI que os bancos têm exigido garantias reais para concessão de crédito para custeio de safra, "algo nunca antes visto em nenhum outro lugar do mundo". Além disso, apenas uma parcela do financiamento costuma ser concedida a juros controlados – que já sofreram aumento no Plano Safra – e o restante fica a juros livres, o que encarece a operação.

"Os bancos estão concedendo apenas a parcela que conseguem a juros controlados. Acima de um determinado limite os juros ficam muito maiores", conta o executivo.

Oficialmente, hoje é dada a largada para o plantio da segunda safra de milho nas principais regiões produtores do País, como Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. No entanto, houve atraso no plantio de soja e aumento nas despesas com replantio, em diversos casos de lavouras com seca no Centro-Oeste, fatores que podem atrapalhar o início da segunda temporada agrícola. "Diante de todo o cenário, a pior questão foi a necessidade de garantias reais para custeio", reforça o presidente da associação.

Avaliação e projeções

O ministro interino traçou um cenário otimista para a safra. "Depois da supersafra passada, teremos a de 2015/2016 crescente. Em um ano de redução de investimento e de crescimento de custeio menor, termos uma boa safra", observou.

Segundo ele, os dados mostram que o Ministério acertou ao priorizar o custeio nas negociações com o governo sobre o Plano Safra 2015/2016. Esse maior foco no crédito de custeio levou a uma "supersafra". "A agricultura não perdeu a confiança ainda, segue confiante", ressalta.

Tiveram destaque as linhas de financiamento para custeio do médio produtor (Pronamp) – com faturamento de até R$ 1,6 milhão ao ano -, que atingiram R$ 9,8 bilhões. O valor representa incremento de 38% em relação ao consolidado de julho a dezembro do ano anterior (R$ 7,1 bilhões). "Aumentamos a obrigação dos bancos em emprestarem para o Pronamp", diz. Entre as instituições, o volume tomado junto a bancos públicos cresceu 33%; nos privados, recuo de 14%; e nas cooperativas, estabilidade.

Nayara Figueiredo e Agências

Fonte : DCI


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