Produtor rural carece de apoio para gerir recursos hídricos, aponta pesquisa

Segundo estudo da Universidade de São Paulo, disputas pelo uso da água vêm aumentando, principalmente no setor agrícola

Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, mostra que os produtores rurais brasileiros percebem que a disponibilidade hídrica passa por mudanças, com aumento das disputas pela posse da água. O trabalho desenvolvido pela engenheira agrônoma Janaína Paulino alerta para a insuficiência dos serviços de extensão e transferência de tecnologia rural no Brasil em relação à promoção do uso sustentável dos recursos hídricos.
A pesquisa contou com uma equipe técnica de profissionais de diversas áreas de atuação, com mais de 13 colaboradores, que trabalharam por mais de dois anos no planejamento, obtenção e sistematização de dados e elaboração de relatório. De início, foi realizado o levantamento dos potenciais locais e instituições que seriam aptos a responder de maneira expressiva as questões sobre a utilização do recurso hídrico na região. Assim sendo, recorreram-se às tabelas que apresentavam informações sobre estabelecimentos agropecuários com uso de diferentes métodos de irrigação e diferentes explorações animais. Após a seleção dos municípios (180), foram mapeadas as instituições ligadas ao uso da água (357).
Ao mesmo tempo, foi elaborado um questionário de pesquisa, dividido em cinco partes. Um evento nacional, denominado “Uso sustentável da água no meio rural — uma proposta pedagógica” foi organizado na Esalq para apresentar e discutir os resultados que, posteriormente, foram apresentados de maneira presencial, em algumas das instituições que participaram do workshop, nas cinco regiões administrativas brasileiras (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste).
— Na prática, a pesquisa mostrou que os usuários da água no setor rural já estão percebendo alteração na disponibilidade hídrica das fontes e que as disputas pelo uso da água vêm aumentando ao longo do tempo, ocorrendo principalmente entre o próprio setor agrícola — afirma Janaina.
O estudo mostra que essa percepção revela uma demanda por materiais que visem formar capacidades nos usuários e nos trabalhadores das instituições de extensão rural.
— Os serviços de extensão e transferência de tecnologia rural no Brasil não estão funcionando da maneira que deveriam ou em alguns casos são inexistentes — afirma.
Entre as regiões, a região Norte foi a que apresentou maior carência de ações voltadas à gestão dos recursos hídricos. A maior atividade usuária da água é a irrigação e muitos avanços devem ocorrer neste setor. Os usuários precisam de suporte técnico e poucos são os profissionais atuantes e preparados para atender tais demandas. Mesmo existindo relatos de iniciativas sobre o reuso da água em algumas regiões, como a Sul, por exemplo, verifica-se que há carência de ações visando este assunto.

Fonte: Ruralbr | AGÊNCIA USP

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