Produtor busca sistema de cooperação em rede

ECOCITRUS/DIVULGAÇÃO/JC
Esswein fomenta atividade no Vale do Caí

Esswein fomenta atividade no Vale do Caí

Somando 32 anos de experiência dentro da Emater-RS, o agrônomo aposentado Fábio José Esswein tem se empenhado em agregar valor ao trabalho de 67 agricultores dos municípios de Montenegro, Pareci Novo, Harmonia, Tupandi, São José do Sul, Barão, São José do Hortêncio, Brochier e Maratá. A primeira conquista aconteceu há três anos, quando o grupo passou de vendedor de frutas in natura no mercado a produtor e exportador de óleos essenciais de laranjas e bergamotas. A meta agora é ampliar o volume, implementando um sistema de cooperação em rede cujo foco principal será a extração de óleos de cítricos realizada na fábrica da cooperativa Ecocitrus, em Montenegro.
Esswein, que também é produtor, conta que, para iniciar o processo na cooperativa – onde atua como presidente -, buscou informações em diversos mercados, entre eles a Itália, que é líder na fabricação de óleos essenciais. “Procuramos evoluir no conhecimento que tínhamos e fomos buscar mais”, conta o dirigente da Ecocitrus, que além de ir conhecer o trabalho feito na Europa ainda desenvolveu parceria em pesquisas na área de citricultura com a Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, e as Universidades de Caxias e Federal do Rio Grande do Sul. “Sempre tivemos forte relação institucional com universidades, com produtores de suco e de óleo e com os compradores do exterior”, observa.
Quando fala do trabalho da Ecocitrus, Esswein não puxa o foco para si. “Somos pequenos, mas metidos”, diz o dirigente, que tem grandes planos para o crescimento econômico dos agricultores do Vale do Caí. A ideia de extrair óleo de frutas cítricas para ser usado em perfumaria, cosméticos e na indústria alimentícia (como aromatizante de bolos, por exemplo) surgiu em 2008. Antes de se tornarem independentes, com a construção da fábrica própria na Ecocitrus, os agricultores vendiam a produção de laranjas e bergamotas para esta grande indústria.
Mas as instalações próprias permitiram que o grupo entrasse na cadeia produtiva e ganhasse mais este quinhão. Após dois anos de estudos e tratativas, a Ecocitrus desembolsou R$ 1 milhão para erguer a estrutura necessária para a fabricação de óleos, que tem 1.6 mil m2 de área. Passou então a comercializar a produção para a importadora Vestey Foods France SAS, uma distribuidora francesa, que atende fabricantes de perfume, cosméticos e alimentos. “Vendemos pequenos volumes também para o mercado interno, mas a maior parte é para fora do País”, detalha Esswein. Nos últimos quatro anos, a Ecocitrus ainda fomentou a criação de outra cooperativa, que processa óleos essenciais na fábrica de Montenegro.

Óleos orgânicos se diferenciam no mercado

Além de ser a única cooperativa que trabalha com extração de óleos essenciais de cítricos no País (as demais empresas são privadas), a Ecocitrus também se diferencia por entregar um produto orgânico às indústrias. A pequena fabricante extrai os óleos essenciais da laranja ou da bergamota verdes – fruta que vai para o raleio, tirada do excesso de produção. “Antigamente, isso era jogado fora, hoje é usado para retirar o óleo”, frisa o presidente da entidade, Fábio José Esswein. Além do óleo verde de raleio, o grupo de produtores também extrai óleo da sobra da fabricação de suco de laranja ou de bergamota. “Nesse caso, o resultado é chamado óleo essencial da bergamota (ou laranja) madura”.
Com todas as dificuldades que uma organização de pequenos agricultores pode ter, a Ecocitrus tem metas ambiciosas. Além dos associados participarem do processo de implementação da extração de óleo, também apoiaram a busca de recursos para a criação de uma fábrica de sucos na sede da entidade. Foram mais R$ 5 milhões para que os produtores passassem a se beneficiar das frutas para a fabricação de sucos. Atualmente, o faturamento do grupo gira em torno de R$ 10 milhões por ano. Os óleos representam cerca de R$ 500 mil. “É um incremento, mas este valor pode ser ainda maior”, comenta Esswein.
Via terceirizados, nos últimos três anos, os agricultores fabricaram 200 toneladas/ano de suco. “Agora, nossa capacidade de produzir óleos aumentará”, diz Esswein, anunciando a inauguração da fábrica de sucos, em setembro. Com isso, a produção pode ir a 40 mil quilos de óleo de fruta madura (sem contar a possibilidade de extrair 30 mil quilos da fruta verde na outra estrutura). “Mas teremos que processar além da produção própria a de outras cooperativas.”

CADEIAS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Enio Marchesan (UFSM)
• Arione da Silva Pereira (Embrapa)
Paulo César Faccio de Carvalho (Ufrgs) e Granja Ortiz

TECNOLOGIA RURAL

Ênio Giotto (UFSM)
Cláudia Lange (Irga)
• João Carlos Deschamps (Ufpel)

ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS

• Leonardo José Gil Barcellos (UPF)
• Anderson Vedelago (Irga) e Vilnei Heatinger
Fábio Esswein (Ecocitrus)

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Irajá Ferreira Antunes (Embrapa)
Milton Bernardes (Sec. de Agricultura/RS)

PRÊMIO ESPECIAL

José Antonio Peters (Ufpel)

Fonte: Jornal do Comércio |

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