Produtividade move Cocoa Action no Brasil

Iniciativa já difundida no oeste da África, o Cocoa Action foi lançado ontem no Brasil, em evento promovido pela World Cocoa Foundation (WCF) na capital paulista, como uma coalizão entre agricultores, indústrias, governo federal, Estados produtores e organizações não governamentais. A meta é unir esforços para garantir o desenvolvimento sustentável da produção no país.

De acordo com Rick Scobey, presidente da WCF, a iniciativa, que tem caráter global, pretende coordenar esforços para ampliar a produção e garantir renda aos produtores, erradicar o trabalho infantil, promover igualdade de gênero no campo e combater o desmatamento, entre outros objetivos. O Cocoa Action começou na África como uma resposta do segmento após um longo período de denúncias de trabalho escravo e infantil nas lavouras, principalmente em Costa do Marfim. Atualmente, o foco principal do segmento em escala global tem sido na redução da pobreza no campo. No oeste da África, uma nova preocupação é com o desmatamento relacionado à expansão da cacauicultura.

No Brasil, o esforço principal será promover o aumento da produtividade, que tem sofrido nos últimos anos pelas secas na Bahia e pela descapitalização dos produtores. "Se não tem aumento de produtividade, não conseguimos reduzir o desmatamento, não atendemos a demanda da indústria e não aumentamos a riqueza no campo", disse Eduardo Bastos, diretor executivo da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), ao Valor.

A iniciativa tem prazo de cinco anos. Nesse período, os diferentes atores do segmento deverão criar um fórum institucional para realizar um planejamento para o segmento e arbitrar questões dentro da cadeia, como já existe na área de cana-de-açúcar.

As entidades do setor público e privado envolvidas no Cocoa Action Brasil deverão se reunir em novembro para traçar um planejamento financeiro e avaliar de onde virão os recursos e como serão investidos, disse Bastos.

Segundo Laerte Moraes, diretor de Amidos e Adoçantes da Cargill para a América do Sul, o diálogo na cadeia evoluiu nos últimos quatro a cinco anos, mas ainda é "abstrato". "Agora teremos esse fórum para juntar os interesses", afirmou.

Um dos vários impactos desse esforço deve ser a profissionalização dos comercializadores de cacau, que intermedeiam a relação com as indústrias, segundo fontes. Embora muitas processadoras estejam buscando se aproximar dos cacauicultores, a quantidade elevada e a pulverização dos agricultores tendem a manter os comerciantes no jogo.

O Cocoa Action Brasil é constituído em um momento em que o país reúne esforços para voltar a ser protagonista no mercado global de cacau. Ontem, no evento realizado pela WCF, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o Brasil está em "tratativas finais" para voltar à Organização a ter direto a voto na Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês). O país deve € 13 mil com a ICCO, mas, segundo o ministro, a regularização da situação está em andamento.

Isso deverá permitir o acesso do país ao mercado de exportação de cacau com selo de qualidade. "Iremos vender para o mundo um cacau fino de aroma para entrar no seleto grupo de 12 países que possuem essa certificação, o que vai permitir vender esse cacau pelo dobro do preço da média comercializada no Brasil", afirmou.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor

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