Produção rural tem prejuízo superior a R$ 22 milhões devido a cheia no AM

Produtores das calhas dos rios Solimões e Negro tiveram maior perda.
Renegociação de dívidas integra ações para ajudar o setor, diz Sepror.

Adneison Severiano Do G1 AM

Água da cheia dos rios invadiu ponte no Beco São José, na Glória (Foto: Camila Henriques/G1 AM)
Águas invadiram ponte bairro da Glória, em Manaus,
neste ano (Foto: Camila Henriques/G1 AM)

Até o último mês de julho, as cheias dos rios no Amazonas resultaram em prejuízos para agricultura e pecuária que ultrapassam o montante de R$ 22 milhões. Os produtores das áreas situadas nas calhas dos rios Solimões e Negro concentram 91,7% do volume de perdas. Os dados integram levantamento do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas e da Secretaria de Produção Rural (Sepror). Ações como renegociação de dívidas e linha de crédito especial estão sendo articuladas para ajudar o setor.

Com o início do fenômeno natural de vazante, que consiste na redução dos níveis das águas dos rios, os órgãos do setor e prefeituras dos municípios atingidos começam a estimar os danos gerados pela cheia.

Segundo o levantamento preliminar do Idam/Sepror, a cheia causou prejuízo no valor de R$ 22.437.329,61. Desse total, 80,3% são recursos investidos por meio de financiamentos. Os produtores dos municípios da calha dos rios Solimões e Negro foram os mais afetados pela subida das águas com R$ 20.573.019,61. O volume de perda da região corresponde a 91,7% do montante consolidado dos prejuízos financeiros registrados pela agricultura no estado.

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No comparativo com 2012, quando as perdas ultrapassaram R$ 55 milhões, o montante gerado pelos danos da produção foi 55,1% inferior. Ainda que o volume tenha sido menor, 2.608 famílias de 53 municípios amargam perdas.

De acordo com Eron Bezerra, titular da Sepror, as plantações de mandioca (macaxeira), fruticultura e horticultura são mais afetadas pela cheia dos rios no estado. "A pecuária também foi prejudicada, mas em menor proporção, considerando a quantidade. Apesar disso, a perda é expressiva, porque uma cabeça de boi é valorizada, e se perder um animal no mínimo, o prejuízo será de R$ 1 mil", revelou o secretário.

O secretário esclareceu que a metodologia adotada no levantamento não envolve a área ocupada da propriedade rural. O Idam e a Sepror consideram a área de plantio para definir o volume de perdas efetivo das culturas.

Cheia atinge comércio em Itacoatiara, no interior do Amazonas (Foto: Reprodução/TV Amazonas)Cheia atingiu comércio em Itacoatiara, no interior do
Amazonas (Foto: Reprodução/TV Amazonas)

Ações
Para auxiliar os produtores afetados pelas cheias, duas ações de negociação de dívidas voltadas ao setor são realizadas pela Secretaria de Produção Rural. Dentre elas, a prorrogação dos prazos dos pagamentos dos financiamentos e até o perdão da dívida. "Essa uma política de renegociação já trabalhada através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)", enfatizou Eron Bezerra.

Outra iniciativa consiste em ação semelhante adotada para amenizar os prejuízos dos produtores afetados pelas cheias dos rios em 2012. O Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri) reiterou aos ministérios da Integração Nacional (MIN) e de Desenvolvimento Agrário (MDA) o pedido de linha especial de crédito para atender os trabalhadores dos municípios prejudicados no Amazonas. No ano passado, foram destinados R$ 200 milhões para os produtores no estado.

"Esses recursos são administrados pelo Ministério da Integração Nacional com dinheiro do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO). No ano passado, pela primeira vez, conseguimos R$ 300 milhões para região e a maior parte foi para os produtores do Amazonas. Agora, guardamos o posicionamento do ministério em relação ao novo pedido", explicou o secretário estadual.

Fonte: G1

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