Produção gaúcha não atingirá todo potencial

Apesar de não ter alterado suas projeções para a safra gaúcha de verão em seu 4° levantamento do ciclo 2019/2020, a Conab apontou que, devido à estiagem, o Estado já não alcançará mais todo o potencial produtivo em culturas como soja e milho.

A boa notícia para o Rio Grande do Sul, de acordo com Cleverton Santana, gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, é que a previsão climática é de chuva para a próxima semana nas lavouras gaúchas. "A expectativa com a volta da chuva na próxima semana, entre 40 milímetros e 50 milímetros, é de, ao menos, evitar mais perdas", ressaltou Santana.

Ao destacar a falta de precipitações sobre o Estado, o representante da Conab chamou a atenção para danos especialmente nas regiões Nordeste e Central do Rio Grande do Sul, onde já se poderia assegurar que não será alcançado todo o potencial produtivo das lavouras.

Agora, a previsão é que o Estado colha 35, 21 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 1% sobre o ciclo anterior.

A produção de soja não deve mais superar os 19 milhões de toneladas, como previsto até o momento. A estimativa de 19,187 milhões de toneladas, de acordo com o atual levantamento, dificilmente será alcançada. Como foi finalizado no dia 21 de dezembro, porém, a coleta de dados da Conab ainda deixaria de apontar todos os danos da falta de precipitações até agora. O relatório da Conab aponta um volume total de 18,60 milhões de toneladas, queda de 3% sobre 2018/2019. No milho, a previsão é de alta de 3,6% na produção, para 5,97 milhões de toneladas, mesmo com um recuo de 1,3% na produtividade.

"No Nordeste do Estado, mais caracterizado por culturas de sequeiro, os índices de vegetação das lavouras, que até recentemente estavam semelhantes aos da safra passada, agora começaram a mostrar retração", destacou Santana.

A Emater pondera que a situação não é generalizada e mesmo dentro das mesmas regiões não há uniformidade na distribuição das chuvas em dezembro.

Em razão de diversos estágios das culturas também há diferentes impactos, destaca Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater, porque há lavouras de milho que já foram colhidas (especialmente aquelas plantadas em julho), milho ainda em crescimento vegetativo e parte em florescimento e enchimento de grãos. É nesta fase o período mais crítico e onde os danos são maiores.

"O tabaco também tem perdas devido a sua característica mais regionalizada. E no Vale do Rio Pardo há dificuldades (hídricas)", ressalta o representante da Emater.

Na soja, o maior impacto é na lavoura semeada em outubro, mais precoce, e que está em fase mais avançada, de acordo com a Emater – mas que não representa uma grande parcela da área plantada no Estado. A maior parte da soja está hoje em fase de desenvolvimento vegetativo, onde os danos são menos graves.

"A fase mais crítica é de enchimento de grãos, o que ocorre com um parcela ainda pequena", diz Rugeri. O diretor técnico da Emater explica ainda que, no momento, não há medidas possíveis para amenizar os danos.

"O produtor tem que esperar passar essa fase. Não é possível definir agora o melhor manejo, como substituição da lavoura, por exemplo. Tem que aguardar o restabelecimento das chuvas", ressalta Rugeri.

A Federação dos Trabalhadores na Agriculturac (Fetag) também está em alerta com o cenário para os pequenos produtores.

O presidente da federação, Carlos Joel da Silva, ressalta que os agricultores devem solicitar junto aos agentes financeiros o pedido do Proagro para amenizar o impacto econômico das perdas. Nesta quinta-feira, a entidade se reúne com outros representantes do agronegócios e o governo do Estado na sede da Federação dos Municípios (Famurs) para debater e encaminhar possíveis soluções ao problema.

Nacionalmente, a estimativa da safra 2019/2020 de grãos divulgada pela Conab é de uma produção de 248 milhões de toneladas, com aumento de 2,5% ou 6,1 milhões de toneladas em relação a 2018/2019, podendo alcançar um novo recorde da série histórica.

A expectativa da companhia é de que a área semeada alcance 64,2 milhões de hectares, alta de 1,5% em comparação à da safra anterior. Isso porque as condições climáticas adversas registradas no Rio Grande do Sul não afetaram a produção em estados como Paraná, Mato Grosso e Goiás. E onde houve instabilidade no início do plantio de verão já começa a haver normalização. E é a cultura da soja, que vem mantendo a tendência de crescimento na área: nesta temporada deve ter incremento de produção em 2,6% em relação ao ciclo passado, chegando a 122,2 milhões de toneladas.

Fonte: Jornal do Comércio

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