Produção de laranja pode cair 17% em 2013

Marcos Issa/Bloomberg / Marcos Issa/Bloomberg
Clima adverso e abandono de pomares devem comprometer colheita na safra 2013/14 após anos de superoferta

A produção brasileira de laranja deve voltar a cair com força na safra 2013/14, enquanto o setor tenta enxugar o excesso de oferta. Uma importante fonte ligada à indústria disse ao Valor que a colheita deste ano deve somar 300 milhões de caixas, 17% menos que as 364 milhões do ciclo passado.

O número é ainda 30% inferior ao recorde de 428 milhões de caixas do ciclo 2011/12. Nas dez safras anteriores, os produtores de São Paulo e Triângulo Mineiro (que concentram o maior parque citrícola do mundo) colheram, em média, 338,9 milhões de caixas anuais.

Os pomares sofreram com o clima seco e quente durante a floração nos últimos meses. Na avaliação de Margarete Boteon, pesquisadora da área de citros do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a queda dos investimentos nas lavouras, reflexo da descapitalização do produtor, pode ser um fator ainda mais relevante. "Há um número alto de abandono de pomares, então a área cultivada deve ser reduzida em 2013". Margarete afirma que há um sentimento "unânime" no mercado de que a próxima safra será menor, mas pondera que ainda é cedo para falar em números, já que a colheita começa apenas em maio.

"Se tivermos mesmo apenas 300 milhões de caixas e levarmos em conta que uma parcela dos estoques de suco ficará retida até o fim do ano, é possível que tenhamos algum alívio no cenário ruim. Ainda assim, os preços precisariam reagir muito para que os citricultores voltassem a investir na cultura", avalia Margarete.

Em 2011, o governo "segurou" os estoques de suco do país, com a condição de que as indústrias comprassem mais laranja. Na época, os estoques estavam baixos, o que provocou uma reação nos preços da bebida. A expectativa era de uma queda acentuada na colheita seguinte (os pomares costumam "cansar" após uma safra abundante), mas a produção surpreendeu e o governo voltou a financiar a retenção dos estoques, o que resultou em um acúmulo ainda maior na oferta – das 662 mil toneladas armazenadas, 311 mil estão retidas pelo governo via Linha Especial de Crédito (LEC).

"A menor disponibilidade de laranja deve trazer um alívio ao sistema. Processaremos pouco e teremos suco para desovar", diz Christian Lohbauer, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Sucos Cítricos (CitrusBR), entidade que representa as grandes indústrias de suco – Citrosuco/Citrovita, Cutrale e Louis Dreyfus.

A produção também está em queda na Flórida (segundo maior produtor de laranja do mundo), que apresenta problemas com o clima e a alta incidência de pragas. Em dezembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) rebaixou em 5,2% a previsão para a safra 2012/13, a 146 milhões de caixas. Analistas ouvidos pela Bloomberg apostam em uma nova redução de estimativa, no relatório de sexta-feira, para 145,16 milhões de caixas.

Contudo, os números relativos ao consumo também não são favoráveis. Dados da consultoria Nielsen apontam que, nas quatro semanas encerradas em 22 de dezembro de 2012, as vendas totais de suco de laranja nos EUA caíram 4,3% em volume e 3,4% em receita, em relação ao mesmo intervalo de 2011. Em média, o consumo mundial tem recuado 1,5% ao ano. A competição com outros tipos de bebida tem colaborado para puxar para baixo o interesse de compra pelo suco. (Colaborou Luiz Henrique Mendes)

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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