Produção de implementos agrícolas deve ter melhor ano da história

Setor bateu recorde de empregos no Brasil e tem dificuldade de contratar funcionários

Produção de implementos agrícolas deve ter melhor ano da história Diogo Zanatta/Especial

Bom resultado foi puxado pelo crescimento de 65% na comercialização de colheitadeiras Foto: Diogo Zanatta / Especial

Caio Cigana

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Tracionadas por fatores como safra cheia, preços remuneradores e crédito barato, as vendas de máquinas agrícolas colocaram por terra as revisões elaboradas no final do ano passado para 2013. Enquanto a expectativa era de alta apenas 5%, o desempenho do mercado interno até maio surpreendeu com o aumento de 30% na comparação com o mesmo período de 2012.

O resultado, mostra a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi puxado pelo crescimento de 65% na comercialização de colheitadeiras. Recuperados do susto da seca no ano passado, os agricultores gaúchos mostram um ímpeto ainda maior para investir.

Até abril, a venda de colheitadeiras no Estado subiu 88%. A Anfavea revisará as estimativas só no próximo mês, mas é certo que haverá calibragem para cima, admite Milton Rego, vice-presidente da entidade.

Para o dirigente, dois fatores devem levar à desaceleração no crescimento das vendas nos próximos meses. O primeiro está relacionado ao reaquecimento do mercado que iniciou a partir de setembro do ano passado, o que faz com que boa parte do segundo semestre tenha uma base de comparação mais alta. O segundo, avalia, seria uma propensão maior dos agricultores a investirem em armazenagem em função do caos logístico enfrentado pelo país após a colheita neste ano, problema evidenciado pelas filas quilométricas de caminhões em direção aos portos.

A disparada da venda de colheitadeiras, avalia Rego, pode ser atribuída a um movimento de renovação do parque de máquinas após um período entre 2005 e 2010 marcado por um número reduzido de negócios. A decisão de ir às compras, completa o dirigente, também é ajudada pelos juros reduzidos do PSI. As taxas de 3% ao ano sobem para 3,5% a partir de julho, mas mesmo assim seguem negativas — ou seja, abaixo da inflação.

O crescimento do mercado de máquinas agrícolas, setor que o Estado detém dois terços da indústria nacional, também se reflete no varejo. Representante da Massey Ferguson, a concessionária Augustin, de Não-Me-Toque, foi a campeã de vendas de colheitadeiras da marca no país em 2012 e, nos últimos anos, tem colocado em prática um plano ousado de expansão, ampliando a área de ação para Santa Catarina e Paraná.

— Saímos de 27 municípios atendidos antes de 2000 para 116 agora — conta o sócio-diretor da empresa, Paulo Finger.

A Case IH, fabricante de máquinas de maior potência, tinha apenas uma concessionária no Estado cinco anos atrás. Atualmente são 17 e, até o final do ano,serão 20. A John Deere é outro um exemplo de crescimento da rede. Em apenas cinco anos, pulou de 161 para 252 pontos de venda. Desses, 41 estão no Rio Grande do Sul, onde já ganhou seis novas concessionárias este ano. E outras três ainda serão abertas até o mês de dezembro.

Fonte: Zero Hora

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