Produção de café foi recorde na safra 2016/17, diz Conab

Depois de ter reduzido levemente sua projeção para a produção brasileira de café na safra 2016/17 em setembro, a Conab elevou ontem a estimativa para este ciclo, atribuindo o aumento às boas condições climáticas e à bienalidade positiva do café arábica.

De acordo com o levantamento, a produção brasileira chegou ao recorde de 51,37 milhões de sacas na safra 2016/17 – o maior volume já registrado havia sido de 50,8 milhões de sacas, em 2012/13. No levantamento de setembro, a Conab havia estimado uma produção de 49,64 milhões de sacas de café. O volume colhido é 18,8% superior ao da safra 2015/16, que totalizou 43,23 milhões de sacas.

Segundo a Conab, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras de arábica e o ciclo de bienalidade positiva favoreceram as lavouras e permitiram aumento da produtividade nos Estados produtores, como São Paulo e Minas Gerais.

A produção de arábica somou 43,38 milhões sacas, conforme o levantamento, aumento de 35,4% ante o ciclo 2015/16. Na estimativa de setembro, a autarquia projetara uma produção de 41,29 milhões de sacas. A Conab avalia que o acréscimo se deve, principalmente, ao aumento de 46,14 mil hectares da área em produção, à incorporação de novas áreas que se encontravam em formação e renovação decorrente de podas realizadas e às condições climáticas mais favoráveis.

A colheita da espécie conilon na safra 2016/17 ficou ainda menor do que a Conab vinha projetando. A produção somou 7,99 milhões de sacas, redução de 28,6% ante o ciclo anterior. No levantamento de setembro, a projeção era de uma produção de 8,35 milhões de sacas no país. A quebra na safra já levou a indústria torrefadora e de café solúvel do Brasil a solicitar a importação de robusta do Vietnã para suprir a escassez de oferta.

As condições climáticas desfavoráveis afetaram a produtividade do conilon, que caiu 25,7% em relação ao ciclo anterior, para 18,81 sacas por hectare. De acordo com a Conab, a seca e à má distribuição de chuvas por dois anos consecutivos no Espírito Santo – principal produtor de conilon – enquanto os cafezais estavam em fase de florescimento, formação e enchimento de grãos derrubaram a produtividade.

A produção em Rondônia e na Bahia também foi afetada pela estiagem. Mas, segundo a Conab, a quebra de produtividade em Rondônia foi amenizada, em parte, pela entrada em produção de novas áreas de café clonal, cuja produtividade é bem superior do que as áreas tradicionais.

Com a revisão para cima pela Conab da safra de café como um todo no Brasil, a estimativa de produção nacional ficou um pouco menos distante do que o projetado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Em novembro, o escritório do USDA no Brasil estimou uma produção de 56,1 milhões de sacas (entre café arábica e conilon).

Na sexta-feira, os contratos futuros de café com vencimento em março fecharam com forte queda de 545 pontos, a US$ 1,391 por libra-peso, na bolsa de Nova York, num movimento de realização de lucros.

Por Kauanna Navarro e Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte:Valor

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