Produção com alta tecnologia

As principais empresas agrícolas do mundo aproveitam a Agrobrasília para apresentar as mais recentes inovações que permitem redução de custos e aumento da produtividade nas lavouras. A tecnologia nunca esteve tão presente no campo. Máquinas de última geração, programas de computador e até simuladores tornam o trabalho mais eficiente. Os investimentos feitos pelos agricultores devem ultrapassar os R$ 250 milhões este ano.

No galpão montado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), visitantes podem conhecer o primeiro simulador de máquinas agrícolas do Distrito Federal. O equipamento, orçado em R$ 60 mil, ensinará trabalhadores rurais da região a operar colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores. "Muitas vezes, o produtor faz um investimento altíssimo, mas não tem quem saiba operar os equipamentos", observou o superintendente do Senar no DF, Mansueto Lunardi.

Há modelos de colheitadeiras que chegam a custar mais de R$ 1 milhão. A tecnologia atual permite que, por meio de monitoramento via satélite, a máquina não passe pelo mesmo lugar mais de uma vez e distribua, automaticamente, a quantidade de insumos necessária em cada trecho da plantação. Tudo é acompanhado por computadores de bordo de dentro da cabine. "Os sistemas disponíveis hoje evitam o desperdício de produtos, que são caríssimos", completou Lunardi.

O técnico agrícola Alessandro Miranda, 25 anos, faz parte da primeira turma do Senar com as aulas práticas no simulador. Nascido e criado na área rural do DF, ele acompanhou de perto o avanço tecnológico no campo. "Antes, a gente trabalhava comendo poeira. Chegava em casa sujo e estressado", relembrou. Hoje, operadores atuam em confortáveis cabines climatizadas, com banco de couro e som. "Quando a gente aciona o piloto automático, não precisa praticamente de mais nada", acrescenta Miranda.

A Basf, umas das maiores empresas químicas do mundo, apresenta na Agrobrasília um serviço portátil de assistência técnica e diagnóstico de doenças, pragas e plantas daninhas. Ao analisar imagens geradas a partir de uma potente lupa, produtores podem identificar e atacar com antecedência problemas nas lavouras. Um aplicativo em smartphones auxilia no compartilhamento de informações.

Titulação

No fim da tarde de ontem, cerca de 10 mil pessoas já tinham visitado a Agrobrasília, a principal feira de agronegócio do cerrado brasileiro. A movimentação no primeiro dia do evento surpreendeu a organização. Ao circular pelos estandes, produtores e criadores têm a oportunidade de conhecer o que há de mais moderno no campo. As atividades seguem até sábado.

Na solenidade de abertura, à tarde, o governador Agnelo Queiroz (PT) enalteceu a produção agropecuária brasiliense e lembrou dos altos níveis de produtividade alcançados no DF. Ele disse não ter esquecido da promessa de campanha de resolver a questão da titularidade das terras. Agnelo garantiu que, até o fim da feira, serão entregues documentos de posse para "entre 70 e 100 produtores".

Sem serem donos das terras, os agricultores têm dificuldade para conseguir financiamentos, uma vez que não possuem segurança jurídica. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB), também presente à abertura da feira, cobrou uma solução para o problema. "A gente sabe que existe uma resistência histórica dentro do DF e da Terracap em torno desse assunto", afirmou.

O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Lúcio Valadão, aproveitou seu discurso para falar sobre o maior entrave do agronegócio brasiliense. "Não abandonamos a regularização. Estamos perseguindo resultados", comentou. Atualmente, há cerca de 1,5 mil processos em análise na secretaria. Valadão destacoua consolidação do DF como pólo de tecnologia e de conhecimento no ramo da agricultura.

Antes da cerimônia de abertura, que começou com quase uma hora de atraso, o governador, acompanhado da primeira-dama, Ilza Queiroz, e uma comitiva de parlamentares e produtores, percorreu os corredores da Agrobrasília e visitou alguns estandes, entre eles o do Banco de Brasília (BRB) e o da multinacional Pioneer.

Sistema controla o

consumo de energia

Uma empresa baiana de gerenciamento de recursos hídricos e energéticos apresentará hoje durante uma palestra na AgroBrasília um sistema desenvolvido para monitorar, via internet, o consumo diário de eletricidade dos equipamentos de irrigação. Além de identificar problemas no fornecimento do serviço, o programa faz prognósticos de quanto será cobrado na conta do mês. De acordo com Victor de Vasconcelos Nunes, diretor da companhia, muitos clientes têm prejuízos porque desconhecem os contratos firmados com as concessionárias.

Além de medir o consumo dos equipamentos do empreendimento rural, o sistema identifica os horários de funcionamento de cada um deles. Dessa forma, pode avaliar quais máquinas estão ligadas fora do horário estabelecido em contrato. A taxa de adesão custa entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, além de uma mensalidade equivalente a um salário mínimo.

Eu acho…

"Estou aqui pela curiosidade. A parte das plantações me chamou muito a atenção. A gente só aprende olhando como é que os outros fazem, por isso uma feira como esta é importante. Ouvi as explicações, peguei alguns panfletos e volto na quinta-feira para terminar de visitar os estandes".

Silvio Machado Guimarães, 52 anos, produtor de Unaí (MG)

Eu acho…

"Foi legal conhecer o jeito de plantar de outras pessoas: é bem diferente de como eu faço. Hoje, produzo milho, feijão e mandioca, mas quero começar a trabalhar também com hortaliças, para melhorar o rendimento. Vim aqui para aprender. Valeu muito a pena, e no ano que vem vou voltar".

Manoel Rodrigues de Morais, 56 anos, produtor de Cristalina (GO)

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF