Procura por crédito para investimentos caiu 30% até março

Após meses em queda, e às vésperas do término do calendário agrícola em junho próximo, os desembolsos de crédito rural nesta safra 2015/16 (iniciada em julho do ano passado) deram um sinal um pouco mais expressivo de recuperação em março e passaram a registrar alta acumulada – pequena e em termos absolutos – em relação aos nove primeiros meses do ciclo 2015/16.

De acordo com dados do Banco Central, o montante total nos financiamentos contratados nos nove primeiros meses da atual temporada (a partir de julho do ano passado) alcançou R$ 117 bilhões, 1,5% mais que no mesmo intervalo da temporada passada. Os bancos fecharam, no total, 1,7 milhão de contratos, um recuo de 12% na comparação.

Esse resultado revela uma leve melhora nos indicadores que medem as principais modalidades de crédito, quando observadas as demandas das agriculturas empresarial e familiar juntas em comparação a meses anteriores desta safra.

Na empresarial, o volume contratado até março superou em 4% o dos nove primeiros meses de 2014/15 e atingiu R$ 100 bilhões, 53% do total ofertado pelo governo no Plano Safra 2015/16 (R$ 187,7 bilhões). Mas no mesmo período do ciclo 2014/15, cuja oferta total de crédito rural foi menor (R$ 156,1 bilhões), esse percentual foi de 61,6%. Já o montante concedido pelos bancos no Pronaf caiu 11%, para R$ 16,8 bilhões.

O incremento no montante acumulado pode ser explicado pelas operações de custeio, que se aceleraram nos nove primeiros meses de 2015/16 e somaram R$ 73 bilhões, 20% mais que no ciclo anterior. Além disso, a procura pelas linhas de investimento caiu menos – 30%, para R$ 26 bilhões. Até o volume contratado para comercialização aumentou (6,6%, para R$ 17,8 bilhões).

Os bancos públicos seguem concentrando a maior parcela de contratações dos recursos tanto do Plano Safra quanto do Pronaf. Essas instituições já liberaram R$ 68,6 bilhões no ciclo 2015/16 até março, 6% mais que na safra anterior. O Banco do Brasil continua na liderança. A instituição emprestou R$ 59 bilhões de julho de 2015 a março de 2016, 12,6% mais que no mesmo período do ciclo passado, e montante equivalente a 50% do total tomados junto a todos os bancos nesse período.

Já as contratações concedidas pelos bancos privados caíram 7,8% para R$ 34 bilhões nos nove primeiros meses do ciclo 2015/16. Nessa frente, o Bradesco lidera (R$ 9,1 bilhões), seguido pelo Itaú (R$ 7,8 bilhões). No caso dos financiamentos com juros livres, as instituições privadas emprestaram R$ 5,2 bilhões. Considerando bancos públicos e privados, o total financiado nessa categoria somou R$ 7,2 bilhões, 43% a mais que no mesmo intervalo do ciclo passado, porém bem abaixo dos R$ 53 bilhões estimados pelo governo.

Já os empréstimos bancários lastreados em Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), as contratações já alcançaram R$ 6,8 bilhões, contra R$ 161 milhões em 2014/15.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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