PRIORIDADE NA DEMARCAÇÃO

Entidades e representantes do setor atribuem mortes de agricultores à inércia da União

Entidades de representação dos produtores e políticos cobraram providências para cessar o conflito estabelecido entre agricultores e indígenas e manifestaram inconformidade com o modo com que a União vem conduzindo o processo demarcatório de terras indígenas no Rio Grande do Sul.

Depois de reunião com o governador Tarso Genro, pela manhã, o presidente da Fetag, Elton Weber, responsabilizou o governo federal pelas mortes e apelou para que os órgãos de controle enviem representantes ao município de Faxinalzinho. ‘Esse ato violento ultrapassou todos os limites do aceitável. E a culpa disso é da inércia da União e de suas reuniões, que não encaminharam nada até agora’, desabafou. ‘Esperamos que o MPF e a Funai saiam de dentro dos gabinetes.’ Segundo a assessoria da Funai, dois servidores foram enviados ao local. Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Federal também estão na região. Na avaliação do deputado Heitor Schuch, o fato era uma tragédia anunciada, em razão de outros conflitos por demarcação no Estado. ‘É uma grande injustiça com os agricultores que vêm sendo despejados de suas terras, sobre as quais possuem escrituras de muito tempo, algumas centenárias, herdadas dos pais e avôs.’

Em nota, o governo do Estado se solidarizou às famílias e reafirmou que a demarcação é de competência exclusiva da União, conforme estabelece a Constituição federal, e reconhece tanto o direito das comunidades indígenas quanto o dos agricultores familiares, possuidores de título de propriedade. A Farsul lamentou o fato e disse que a questão já havia sido alertada pela entidade. O assunto será discutido hoje, em Brasília, por representantes da Contag e da Secretaria-Geral da Presidência da República. Presidente da Frente Parlamentar Agropecuária na Câmara, o deputado Luis Carlos Heinze irá apresentar hoje representação contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A ideia é enquadrá-lo no artigo 218 do regimento interno da Casa e responsabilizá-lo criminalmente pelos assassinatos.

Fonte: Correio do Povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *