Primeira usina flex do Brasil ajuda a diversificar produção e a sustentar preços em Mato Grosso

Usimat produz etanol a partir de cana-de-açúcar e de milho

Sirli Freitas

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Milho é utilizado como matéria-prima de etanol em usina de Mato Grosso

Depois de um ano de testes, no mês passado a Usimat passou a produzir etanol a partir de milho. Primeira usina de etanol flex do Brasil, a empresa está ajudando a diversificar a matéria-prima para a produção e a sustentar os preços do milho safrinha na região oeste de Mato Grosso.

A quase 600 quilômetros de Cuiabá, no município de Campos de Júlio, a unidade, construída na década de 1980, funciona há seis anos, depois de ser reinaugurada. A ideia era aproveitar o excedente da produção de milho, que derrubava os preços do cereal no Estado.

– Os equipamentos que usamos da usina de cana sofreram o mínimo de mudança. É projeto viável – afirma o gerente industrial Vital Nogueira.

Os empresários esperam recuperar os R$ 20 milhões investidos no projeto em até três anos. A possibilidade de otimizar o parque industrial, que geralmente fica parado durante a entressafra da cana, entre os meses de outubro a abril, é uma das vantagens que anima os investidores, já que o período ocioso do maquinário pode ser reduzido, consequentemente diminuindo os custos fixos da empresa.

Com a mudança, a planta passa a operar 11 meses por ano. Durante seis é abastecida com cana-de-açúcar e nos outros cinco, com milho. Uma tonelada do grão produz em média 350 litros de etanol, enquanto a mesma quantidade de cana rende apenas 90 litros do combustível.

O etanol de milho tem as mesmas propriedades do combustível da cana e pode ser usado normalmente no abastecimento de veículos. A usina já produziu dois milhões de litros do combustível, esmagando seis mil toneladas do grão. Até o final de 2013, a meta é chegar a 100 mil toneladas de milho processadas. Além do milho, os empresários pretendem também usar o sorgo.

A produção anima agricultores da região, que acreditam que a demanda da usina pode sustentar os preços na área.

– É o que esperávamos, o Brasil produzindo e agregando valor. Este é o grande ganho: incentivos, mão de obra e geração de impostos – comemora o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira.

De acordo com os empresários, no entanto, a produção de etanol de milho só é viável em usinas que também utilizem cana-de-açúcar. Se fosse uma planta independente, o investimento saltaria de R$ 20 milhões para R$ 40 milhões e seria necessário pagar pela energia utilizada, o que inviabilizaria o processo.

Fonte: Ruralbr | Luiz Patroni e Pedro Silvestre CANAL RURAL

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