Previsão de safras recordes

Ao anunciar que o país deve quebrar marca histórica mesmo com a seca, ministro da Agricultura projeta novo crescimento

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O Brasil deverá colher 170 milhões de toneladas de grãos na safra 2012/2013. A projeção foi feita, ontem, pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, após o anúncio da revisão dos números do ciclo 2011/12, que deve fechar com recorde de 165,9 milhões de t. O incremento de 71,6% na produção da segunda safra de milho, que deverá chegar a 38,5 milhões de t, puxada por Paraná e Mato Grosso, reverteu o impacto causado pela seca na região Sul sobre a produção nacional. Só no Rio Grande do Sul, a quebra de 27,1% representou 7,8 milhões de t que deixaram de ser colhidas. Não fosse o clima, o país estaria comemorando a colheita de 178 milhões de t, estima o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Caio Rocha.
De acordo com o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, os produtores serão os protagonistas da safra da "superação" que está por vir. Entretanto, isso depende também do governo. "Estamos preparados para recuperar o que perdemos, confiando na solução para o passivo", diz ele, referindo-se a uma proposta de refinanciamento de dívidas do campo em análise pela União. Dados divulgados, ontem, pelo Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul confirmam a tendência de alta na produção. A entrega de fertilizantes totalizou 1,14 milhão de t no primeiro semestre, 6,5% acima do mesmo período de 2011.
O preço aquecido das commodities que impulsiona a safra, no entanto, tira o sono dos setores avícola e suinícola. O 11 levantamento da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) indicou que o estoque de passagem de soja e de farelo do grão será menor (veja o box). Conforme o analista de mercado Carlos Cogo, diante desse cenário, trades já negociaram a importação de 200 mil t de soja da Argentina e do Paraguai. Ele alerta que, apesar da previsão de estoque farto de milho, há gargalo logístico pela oferta concentrada no Paraná e Mato Grosso.
Lideranças de indústrias do setor temem desabastecimento e alertam que, caso a curva dos custos continue ascendente, há risco de redução de abates e demissões. Ao que tudo indica, essa é a tendência. O relatório do USDA, que sai hoje, deve estimar os menores estoques de soja em 32 anos nos Estados Unidos.
A greve dos fiscais federais agropecuários, logo após a paralisação dos caminhoneiros, é outro agravante, diz o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS, Rogério Kerber. O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, Nestor Freiberger, cobra ações do Mapa contra a especulação. Segundo Rocha, o governo pretende deslocar cereal do Centro-Oeste para o Sul e prepara medida provisória para permitir a compra com valor acima do preço mínimo.

Fonte: Corrreio do Povo

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