PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA – Dois gaúchos lideram transição ao Planalto

Onyx pretende reduzir cargos comissionados em 20%

Onyx pretende reduzir cargos comissionados em 20%

/FREDY VIEIRA/JC

A segurança do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília foi reforçado ontem: além das principais salas terem sido equipadas com detectores de metais, cerca de 50 agentes da Polícia Federal e da Força Nacional montaram um esquema de vigilância no edifício. É nos 22 gabinetes do CCBB que vai transcorrer o processo de transição do governo Michel Temer (MDB) para o do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Dois gaúchos estão à frente da troca de comando na presidência da República: Temer designou seu chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB); Bolsonaro, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM), cotado para a Casa Civil na gestão que inicia em 1 de janeiro de 2019.

Conforme previsão do próprio presidente eleito, deve ser anunciada amanhã a lista com os 50 nomes que irão compor a equipe de transição à qual o novo governo tem direito por lei. Inclusive, Onyx e Padilha têm uma reunião marcada para esta quarta-feira, na capital federal. "Ele (o futuro chefe da Casa Civil) me disse que, na quarta, pretende vir já com os primeiros nomes para composição da equipe de transição", revelou Padilha – que se encontrou com o deputado do DEM na última sexta-feira, em Brasília, antes do resultado do pleito.

Entre as informações que Padilha adiantou a Onyx na sexta-feira passada, estava o número de cargos em comissão (CCs) que Bolsonaro vai ter a sua disposição a partir da posse: pelo menos 10 mil cargos de livre nomeação.

Entretanto, o parlamentar do DEM já disse que pretende reduzir em pelo menos 20% o total de funcionários em cargos comissionados. Para ocupar essas funções, o que se discute é a promoção de servidores de carreira a esses postos.

Ontem, o presidente Temer também disponibilizou a Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República, para Bolsonaro utilizar durante o período de transição. O capitão do Exército ainda não respondeu se aceitará o convite.

O cargo mais alto da comissão de transição tem direito a um salário de R$ R$ 16.581,49, o maior da equipe. Os demais integrantes, em geral, recebem um salário de R$ 2.585,13. Além disso, receberão celulares com o programa que conterá as informações do governo e o detalhamento de dados de cada ministério. Eles podem ser nomeados dois dias depois do resultado da eleição e ficam no cargo até 10 dias depois da posse do novo governo.

Embora o processo de transição não tenha começado na prática, Padilha destacou que tecnicamente esta etapa teve início a partir do resultado do segundo turno da eleição, e que o Planalto já organiza os preparativos e a coleta de dados dos ministérios há mais de 20 dias. Sobre a possibilidade de emedebistas integrarem a futura administração, Padilha disse que "o MDB já tem posição de independência em relação ao governo. A independência, por certo, passa também pelo fato de ter que abrir mão de cargos".

Presidente eleito só viaja à capital federal na próxima segunda-feira

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) só viajará a Brasília na próxima segunda-feira para dar início ao governo de transição. Na ocasião, ele deverá se encontrar com o presidente Michel Temer (MDB). Hoje, Bolsonaro recebe seus principais aliados em sua casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para definir os próximos passos e decidir os primeiros nomes da equipe técnica que atuarão no processo de transferência administrativa.

O encontro também servirá para discutir o número de ministérios. Participarão da reunião o economista Paulo Guedes, anunciado como ministro da área econômica, e o deputado federal Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil e coordenador da equipe de transição. Na quarta-feira, o parlamentar segue para Brasília, onde se encontrará com o general Augusto Heleno, confirmado na pasta da Defesa, e, em seguida, estará com Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil do governo Temer.

O anúncio dos futuros ministros, no entanto, não devem sair pelos próximos dias. A previsão é que o primeiro escalão de governo Bolsonaro seja revelado a partir do fim de novembro.

No dia seguinte à confirmação da vitória na eleição presidencial, a casa do futuro presidente amanheceu com pouca movimentação.

Jair Bolsonaro fará primeiras viagens ao Chile, EUA e Israel

As primeiras viagens internacionais do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já estão definidas. Elas serão para o Chile, Estados Unidos e Israel, segundo o deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni (DEM), que será o ministro da Casa Civil de Bolsonaro. De acordo com ele, Bolsonaro foi convidado neste domingo pelo próprio presidente Donald Trump para ir ao país.

Já a escolha do Chile, segundo Lorenzoni, foi feita porque este país "é a grande referência latino-americana".

Antes de viajar, porém, Bolsonaro deverá ser submetido a uma cirurgia para análise de sua colostomia, que será feita em dezembro. Nesta semana, Bolsonaro ficará no Rio de Janeiro e passa esta segunda-feira "de folga".

Fonte : Valor