Presidente vai transferir o governo para o Riocentro

A presidente Dilma Rousseff governará o país, entre os dias 20 e 22, do Rio de Janeiro. Durante a cúpula da Rio+20, Dilma terá um gabinete e uma estrutura física à sua disposição no Riocentro, local onde será realizada a conferência internacional sobre desenvolvimento sustentável que marcará a passagem de 20 anos desde a Eco-92. Ali, despachará e discutirá com ministros os assuntos do governo mais urgentes, mas suas atenções estarão concentradas nos debates relativos ao evento e nas reuniões bilaterais que terá com chefes de Estado e governo. Decidida a tirar o Brasil da defensiva e emplacar o discurso segundo o qual o desenvolvimento sustentável deve ser formado pela tríade "incluir, crescer e proteger", Dilma enfrenta dois desafios: as críticas de organizações não governamentais ligadas a ambientalistas e a necessidade de evitar que a crise financeira global ofusque a conferência.

Cerca de 190 delegações participarão da Rio+20. Do total, aproximadamente 115 serão lideradas por seus respectivos chefes de Estado ou governo. Dilma considera que esses números demonstram que a conferência não será esvaziada, e está satisfeita com a confirmação da presença de alguns dos principais líderes mundiais. Desembarcarão no Rio, por exemplo, os líderes dos Brics e o novo presidente francês, François Hollande.

Nas reuniões bilaterais, o combate aos efeitos da crise deve dominar a pauta. No caso de Hollande, a compra dos novos caças da Força Aérea Brasileira também deve ser discutida. O vice-presidente Michel Temer viajará à capital fluminense e deve representar Dilma em alguns encontros bilaterais.

A intenção da administração Dilma é evitar polêmicas devido à ausência de líderes importantes. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está em campanha para reeleger-se. Já a premiê alemã, Angela Merkel, decidiu cuidar de questões domésticas e observar os desdobramentos da crise na Europa. Para garantir uma maior presença de delegações estrangeiras, o governo disponibilizou duas aeronaves da FAB e outra da Embraer para transportar autoridades de São Tomé e Príncipe, Malauí, Serra Leoa, Barbados, Granada, Antígua e Barbuda, São Cristovão, Dominica, Libéria e Cabo Verde.

Mesmo assim, o Executivo sabe que o fantasma da crise poderá pairar sobre as negociações e decisões tomadas no âmbito da Rio+20, sobretudo se a situação de Espanha e Grécia se deteriorar. Embora o Itamaraty afirme que trabalha para a Rio+20 resultar num documento final ambicioso e consensual, no Palácio do Planalto essa expectativa não foi alimentada nas últimas semanas. Dilma sabe que há resistências dos países ricos nas negociações.

A primeira participação de Dilma está agendada para sexta-feira, na abertura do Pavilhão Brasil. O espaço, localizado ao lado do Riocentro, servirá para o governo federal apresentar programas e projetos voltados à promoção do desenvolvimento sustentável. Um dos objetivos do governo é justamente demonstrar que o Brasil deve ser visto como exemplo de país que concilia crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.

Dilma só deve retornar ao Rio no dia 20, mas antes ministros das mais diversas áreas participarão de uma série de eventos e debates. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, por exemplo, é esperada em uma mesa-redonda sobre infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Miriam é responsável pela gestão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, deve participar de um encontro sobre o uso da internet de banda larga e da tecnologia da informação por sociedades "inteligentes, inclusivas e sustentáveis".

Constam da agenda do ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, eventos sobre desenvolvimento rural, água e pesca. Já a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, pretende tomar parte em discussões sobre igualdade de gênero e comunidades tradicionais. Outros ministros ainda não divulgaram a previsão de suas agendas. (Colaborou Yvna Sousa)

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Fonte: Valor | Por Fernando Exman | De Brasília

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