Presença de salmonela não é necessariamente um problema

A bactéria salmonela é a principal causadora de infecções intestinais, mas sua presença nas aves não é em si um problema. Na verdade, quando exposta por 14 segundos à temperatura de 70 Cº, a bactéria morre, conforme um especialista.

Dos mais de 2,6 mil tipos de salmonela, apenas dois costumam gerar infecções nos humanos – a enterititis e a tifimurium. Pela legislação brasileira, se um frigorífico detectar a presença de um desses dois tipos na carne, só poderá vendê-la após seu cozimento. Se os demais tipos foram detectados, a carne de frango "in natura" pode ser comercializada.

Nas aves, as salmonelas mais comuns são a galinarium e a pullorum – que, quando exposta ao calor, também morrem. No entanto, a notificação é obrigatória e o governo entende que a prevalência da bactéria no país é muito alto. Nesse cenário, o Ministério da Agricultura decidiu apertar o cerco, ampliando as fiscalizações de salmonelas.

Além disso, a prática do mercado – interno e externo – é não aceitar que a prevalência seja maior do que 20%. Aí reside um dos problemas da BRF. A suspeita é que a companhia burlava os testes porque a prevalência era muito maior, chegando até mesmo a superar os 70%, conforme tabela retirada pelo Ministério Público Federal (MPF) da ação trabalhista de Adriana Carvalho, que foi funcionária da empresa até 2014.

Enquanto a média dos países no mundo nos últimos cinco anos manteve um índice de 7% de contaminação pela salmonela na carne de frango, no Brasil a incidência atual dessa bactéria é de 17%, segundo o Ministério da Agricultura.

"Temos que trazer no mínimo para 15%, mas nossa meta é reduzir a prevalência de salmonela para menos de 7%. Precisamos trazer o Brasil para uma realidade internacional", afirmou o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel.

Por Luiz Henrique Mendes e Cristiano Zaia | De São Paulo e Brasília

Fonte : Valor

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