Presença da helicoverpa no Estado é confirmada

Lagarta que está atacando lavouras no Brasil e com resistência alta a defensivos já provocou prejuízos acima dos R$ 10 bilhões

EMBRAPA/DIVULGAÇÃO/JC

Primeiras ocorrências foram em Espumoso, Carazinho e Passo Fundo

Primeiras ocorrências foram em Espumoso, Carazinho e Passo Fundo

Uma das maiores dores de cabeça dos produtores brasileiros nos últimos tempos chegou ao Rio Grande do Sul. A helicoverpa armigera, praga que está assustando agricultores e tem trazido prejuízos econômicos para as lavouras, já calculados em mais de R$ 10 bilhões, teria sido encontrada em plantações de soja no Estado depois da realização de análises morfológicas.
Um comunicado da Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul notificou as primeiras ocorrências encontradas nos municípios de Espumoso, Carazinho e Passo Fundo. Segundo o superintendente do ministério no Estado, Francisco Signor, apesar das confirmações, ainda é preciso ter cautela sobre o assunto e as definições em relação às medidas de combate à lagarta. “Aqui no Rio Grande do Sul temos que ter um tratamento diferente do que foi dado no resto do País, temos clima e condições diferentes. O momento é de não criar nenhuma euforia sobre o assunto, precisamos definir as ações com base em respostas científicas”, salienta.
A cautela também é defendida pelo gerente de Defesa Vegetal da Secretaria de Agricultura do Estado, José Candido Motta. Afirma que já existe um monitoramento constante nas lavouras gaúchas para identificar os casos. “Temos armadilhas no campo para coletar as lagartas. A identificação é feita por DNA em laboratórios. A lagarta pode se confundir com outras espécies. Suspeitamos que a helicoverpa esteja por aqui, mas precisamos ainda de comprovações científicas”, ressalta.
Os produtores também estão demonstrando preocupação com a chegada da helicoverpa no território gaúcho. O presidente da comissão de Grãos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Jorge Rodrigues, afirma que os agricultores já fazem o monitoramento dos casos em outros Estados. “O grande problema é a voracidade desta lagarta e a forma com que ela se adapta ao ambiente. E não é o problema de apenas uma cultura, já que a praga ataca a todas”, salienta.
Rodrigues espera que seja feita a liberação de defensivos agrícolas específicos para combater a lagarta. Porém, tanto o Ministério da Agricultura quanto a Secretaria da Agricultura do Estado descartam esta possibilidade de imediato.
Hoje, na Superintendência Regional do Ministério da Agricultura, será realizada uma reunião com especialistas das áreas de pesquisa, ensino e extensão rural para integrar ações para monitoramento e controle da praga. Participam entidades como a Emater, Secretaria da Agricultura, Ministério da Agricultura, Embrapa e instituições de esino  como a Universidade de Passo Fundo (UPF), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
A lagarta Helicoverpa armigera, descoberta recentemente no Brasil e que vem destruindo lavouras de soja, milho e algodão, ataca as folhas das plantas, vagens e consome os grãos. A praga é considerada com alta capacidade para adquirir resistência aos defensivos agrícolas. Estados como Bahia, Mato Grosso e Paraná já declararam situação de emergência por causa da praga

Fonte: Jornal do Comércio | Nestor Tipa Júnior

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