Preços do etanol deverão subir mais nos postos do país

A pesquisa de preços de combustíveis apresentada ontem pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) ainda não refletiu a realidade do mercado no país após o reajuste de 6% da gasolina anunciado na última quarta-feira pela Petrobras. Em linhas gerais, a gasolina e o etanol ficaram de 4 centavos a 6 centavos de real por litro mais caros ao consumidor final entre os dias 27 de outubro e 3 de novembro na comparação com a semana anterior. No entanto, o mercado estima que o "real" reajuste deve chegar nas próximas semanas e superar 15 centavos.

"O mercado, num primeiro momento, fica tumultuado. O varejo e as distribuidoras ainda têm estoques com preço antigo. Entre os postos de combustíveis, ninguém quer ser o primeiro a repassar para não perder market share. Leva um tempo para o mercado se estabilizar", explicou ao Valor o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

O potencial é de o preço médio do litro da gasolina nos postos do Estado de São Paulo – referência no mercado nacional – ir nas próximas semanas a uma faixa de R$ 3,20 a R$ 3,30 – ante os R$ 3,13 atuais – não só devido ao reajuste na refinaria, mas também pela forte valorização em curso do etanol anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%. Na usina em São Paulo, os preços desse biocombustível subiram na última semana 9,8%, ou 14 centavos de real, para R$ 1,5765 o litro, de acordo com referência do indicador semanal Cepea/Esalq. Em quatro semanas, a valorização acumulada alcançou 14,5%, ou 20 centavos.

O etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos e é concorrente direto da gasolina C no mercado de carros flex, também tem potencial de se valorizar ainda mais nos postos, disse Rodrigues. Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o litro médio do biocombustível nos postos foi vendido na última semana, conforme a ANP, a R$ 2,004. O potencial, na visão de Rodrigues, é de esse valor saltar para uma faixa entre R$ 2,10 e R$ 2,20.

Além do efeito do reajuste da gasolina, de 6 centavos de real por litro, o hidratado também tem influência de seus próprios fundamentos, tais como a ocorrência de chuvas nas áreas produtoras e a proximidade da entressafra. Esses dois fatores, combinados, vêm provocando uma guinada nos preços na usina em São Paulo desde a primeira semana de setembro. Entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro, o indicador para o produto subiu 12,3%, para R$ 1,46 o litro, alta, em termos absolutos, de 16 centavos de real por litro. Em quatro semanas, a alta acumulada é de 16%, ou 20 centavos por litro.

Na última semana, o preço médio do litro da gasolina C subiu em relação à semana anterior em 15 Estados, sendo que as maiores valorizações foram observadas em São Paulo (0,96%) e em Santa Catarina (1,07%). Já os preços do etanol hidratado subiram nos postos de combustíveis de 12 Estados, sendo que em Minas Gerais foi registrada a maior alta (2,44%).

Por ora, com a pouca alteração nos preços da gasolina C e do hidratado, a relação entre os preços dos dois produtos ficou praticamente estável nos Estados onde o etanol já é mais vantajoso – isso ocorre, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, quando o preço do hidratado equivale a menos de 70% do da gasolina. Em São Paulo, essa paridade ficou em 63,9%, no Paraná, 66,9% e, em Minas, 64,2%.

Por Fabiana Batista | De São Paulo
Fonte : Valor

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