Preços de etanol e milho seguem firmes nos EUA

Governos da Carolina do Norte e Arkansas pedem suspensão da mistura obrigatória do etanol à gasolina

por Agência Estado

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Governadores de dois estados norte-americanos querem a suspensão da mistura do etanol de milho na gasolina, o que beneficiaria também os produtores de carne; o cereal é a matéria-prima do biocombustível e alimento dos animais

O preço do etanol nos Estados Unidos deve se manter em um nível relativamente atrativo para a indústria, mesmo que ocorra uma flexibilização nos níveis de mistura doscombustíveis, afirmou na quarta-feira (15/8) o economista do Estado de Iowa Bruce Babcock. Para o especialista, os pecuaristas que esperam uma flexibilização na política energética do etanol devem ficar decepcionados.
Produtores de carnes aguardam uma redução da mistura obrigatória de etanol à gasolina exigida pelo governo norte-americano, na tentativa de conter a alta do preço do milho. O cereal é a principal matéria-prima do etanol e também é usado como ração animal.
Desse modo, a indústria de etanol continuaria sendo uma importante força no mercado de milho, na opinião de Babcock. O economista aponta que uma mudança nas exigências do governo para a demanda do biocombustível provocaria uma queda nas cotações do grão, mas ainda assim permaneceriam em níveis historicamente elevados.
Devido à forte seca nos Estados Unidos, o preço do milho atingiu máximas recordes nas últimas semanas. Criadores de animais do país afirmam que a demanda pelo grão para a produção de etanol está aumentando ainda mais o custo dos alimentos. Na terça-feira, governadores pediram que Washington suspendesse a mistura obrigatória até 2013. As informações são da Dow Jones.
Etanol
Os governadores dos Estados da Carolina do Norte e do Arkansas enviaram petição ao governo federal norte-americano pedindo a suspensão da mistura obrigatória de etanol à gasolina. O pedido tem como objetivo frear a alta dos preços do milho, cereal utilizado por criadores de animais para ração.
Na petição, a governadora da Carolina do Norte, Beverly Perdue, argumentou que a destinação de milho para produção de combustível está causando "dano direto" à indústria pecuária, "aumentando o custo de produção de alimentos e esgotando ainda mais a oferta de grãos, que já está altamente restrita". O documento, com data de 14 de agosto, foi enviado à Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país.
Tanto Beverly quanto o governador do Arkansas, Mike Beebe, pediram à EPA que suspendesse a mistura obrigatória até 2013. Funcionários da EPA não foram localizados para comentar o assunto.
A petição dos dois dos governadores vem na sequência de pedidos semelhantes feitos por representantes de pecuaristas e parlamentares federais. Na semana passada, os governadores de Maryland, Martin O’Malley, e de Delaware, Jack Markell, mandaram uma carta conjunta à administradora da EPA, Lisa Jackson, apoiando o apelo dos criadores de animais.
A Norma de Combustível Renovável apoiada pela EPA requer que cerca de 15 bilhões de galões de etanol, a maior parte derivada do milho, sejam misturados à gasolina este ano. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA, cerca de 40% da safra de milho norte-americana deve ser destinada à fabricação de etanol.
O grupo de produtores de etanol Growth Energy contestou a reivindicação dos governadores. "Não é a indústria do etanol que está causando o dano econômico. É a ‘Mãe Natureza’. Especificamente, a falta de chuva e as temperaturas altas recordes são os verdadeiros culpados dos preços das commodities, algo que nem a EPA, nem qualquer órgão do governo é capaz de corrigir", disse Tom Buis, executivo-chefe da associação, em comunicado divulgado na terça-feira. "Culpar a indústria do etanol devido à falta de chuva não faz nenhum sentido."
A EPA tem autoridade para suspender a mistura obrigatória de etanol à gasolina se for demonstrado o prejuízo grave "à economia de um Estado, região ou dos Estados Unidos como um todo".

Fonte: Globo Rural

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