Preços animam arrozeiros na abertura da colheita

Evento em Restinga Sêca começa amanhã com a discussão de políticas setoriais, mercadológicas e muita tecnologia

Ana Esteves

O momento positivo vivido pelos arrozeiros gaúchos, com a saca do cereal sendo comercializada a R$ 34,00, frente a um cenário de oferta e procura ajustadas, dará o tom da 23ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, que se inicia hoje, em Restinga Sêca. Os estoques públicos em baixa e as exportações consolidadas contribuíram para aquecer os preços, que no mesmo período do ano passado não ultrapassavam os R$ 26,00 a saca de 50 quilos. “O cenário é promissor e de muito otimismo, especialmente após a renegociação das dívidas dos produtores”, garantiu o presidente do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Claudio Pereira.
Nesta edição, a diversificação de culturas em área de arroz será um dos temas centrais do evento, com foco no plantio de soja e de milho em terras planas. “Já contamos com 250 mil hectares de soja cultivados em áreas de arroz, o que representa 25% da área do cereal no Estado, e agora vamos investir no milho”, disse Pereira. 
O gerente da divisão de pesquisa da Estação Experimental do Irga, em Cachoeirinha, Sérgio Gindri, afirma que o projeto de diversificação de culturas deve tomar ainda mais força neste ano, “ampliando a base produtiva da Metade Sul do Estado, com aumento da renda dos produtores baseado na sustentabilidade.” De olho nessa tendência, o Irga irá apresentar uma nova cultivar de soja, adaptada a terras alagadas. “Trata-se de TecIrga 6070RR, criada em parceria com a CCGL Tecnologia, com alta tolerância ao excesso de água no solo, possibilitando aumento de produtividade a campo”, destacou Gindri. Durante o evento, a nova tecnologia será apresentada em áreas experimentais, e seu lançamento oficial deve ocorrer ainda neste ano. “Estamos em fase de registro das sementes junto ao Ministério da Agricultura e multiplicação de sementes”, disse. O Instituto também apresentará o sistema de manejo em Microcamalhão, com a aplicação da máquina plantadeira para cultivo de milho. Com ela, a drenagem das áreas orizícolas é facilitada, evitando o contado de sementes de sequeiro, como soja e milho com a umidade. “Por outro lado, se houver falta de água, é possível irrigar as áreas com a liberação de água dos mananciais”, afirmou Gindri.
Pereira também destacou que será realizado um amplo debate para incentivar os produtores a optarem por armazenar o cereal nas propriedades, decisão que confere maior liberdade na hora da comercialização. “O Irga vai apresentar um sistema de armazenagem baseado em silos metálicos que comportam de 500 a 150 mil sacos. Trata-se de uma tecnologia simples que pode ser adquirida através de linhas de financiamento governamentais”, disse Pereira.
Conforme o presidente da Federarroz, Renato Rocha, a programação de 2013 contempla os principais temas conjunturais, político-setoriais, mercadológicos e tecnológicos da lavoura arrozeira. “Entre as novidades está a primeira vitrine tecnológica que abordará experimentos com arroz e soja”, disse o dirigente. Ele destacou ainda o Fórum do Arroz, que abordará temas sobre diversificação e irrigação, painel sobre armazenagem e mercado do arroz em 2013/2014, tendo como destaque a palestra de Dwight Roberts, presidente da Associação dos Produtores de Arroz dos Estados Unidos, que abordará a produção naquele País, a organização dos produtores e fatores de competitividade para o mercado externo.

Fonte: Jornal do Comércio

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