Preço internacional do salmão dispara com crise no Chile

Com a queda da produção, exportações chilenas de salmão serão prejudicadas
Os preços internacionais do salmão dispararam nos últimos meses em razão dos estragos provocados em fazendas de criação do Chile pela proliferação de algas marinhas tóxicas. O país sul-americano é o segundo maior produtor mundial de salmão.

De acordo com analistas, os preços do salmão chileno já aumentaram 25%, para cerca de US$ 5 a libra-peso (medida equivalente a 454 gramas), desde dezembro, quando a crise sanitária começou. A explicação para o problema pode estar da elevação das temperaturas do Pacífico provocada pelo fenômeno El Niño e na falta de chuvas. Essa combinação pode ter desencadeado a proliferação descontrolada das algas.

Segundo o Serviço Nacional de Pesca e Aquicultura do Chile, 38 fazendas de criação de salmão da principal região produtora do país foram afetadas, levando à morte de 23,8 milhões de peixes. "A proliferação ainda afeta os peixes", disse Javier Peró, da SalmonEx do Chile, que concentra informações sobre esse mercado.

A produção de salmão do Chile, que em grande parte é exportada para os Estados Unidos, deverá cair cerca de 100 mil toneladas em 2016. No ano passado, foram 590 mil toneladas. Como a Noruega, que lidera a produção global, também deverá registrar uma oferta menor, essa diferença provocada pela crise no Chile não deverá ser compensada.

"Acreditamos que haverá um choque na oferta mundial", diz Kolbjørn Giskeødegård, do banco norueguês Nordea, que prevê que os preços do salmão continuarão elevados nos próximos meses.

As perdas financeiras para a indústria salmoneira chilena, que já tem problemas com seu alto endividamento e a baixa disponibilidade de caixa, são estimadas entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Muitas companhias têm seguro, mas Audun Lem, uma autoridade da área de frutos do mar da FAO, braço da ONU para agricultura e alimentação, acredita que a situação levará a um onda de fusões e reestruturações.

Paralelamente, a crise chilena vem colaborando para impulsionar as ações das empresas produtoras de salmão da Noruega. A desvalorização da coroa norueguesa deixou a produção pesqueira do país mais competitiva no mercado internacional, e os exportadores locais vêm ganhando participação de mercado nos Estados Unidos.

O valor da ação da Marine Harvest, maior produtora de salmão do país europeu, já subiu quase 9% desde o começo do ano. Os papéis de sua concorrente Lerøy, de menor porte, acumulam ganhos de 15,2% no ano e de 54% em 12 meses.

Analistas também destacam que a crise pesqueira chilena confirma a fragilidade sanitária da aquicultura, sempre suscetível às volatilidades do clima e a doenças. Os criadores de salmão vêm lutando contra surtos de parasitas, enquanto os criadores de camarão e lagostim da Ásia sofrem com uma doença conhecida como síndrome da mortalidade precoce. (Tradução de Mario Zamarian)

Por Emiko Terazono | Financial Times
Fonte : Valor

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