Preço do leite recebido pelo produtor sobe 1,35% em fevereiro

Índice do Cepea aponta que volume recebido por laticínios e cooperativas de sete Estados recuou 2,67%

por Estadão Conteúdo

João Marcos Rosa

Menor captação reflete as dificuldades para o produtor manter os investimentos (Foto: João Marcos Rosa/Ed. Globo)

O preço do leite recebido pelo produtor em fevereiro (referente à produção de janeiro) aumentou 1,35% em relação ao mês anterior. A cotação média do litro este mês é de R$ 0,8219 (preço líquido), segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Esse valor refere-se à média ponderada pelos volumes captados nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.
O preço bruto, ou seja, quando se consideram frete e impostos, subiu para R$ 0,8941 por litro. Este valor, se comparado ao do mesmo período do ano passado, está levemente superior (0,6%) em termos reais, levando em conta a inflação (IPCA) do período.
Segundo o Cepea, os reajustes foram motivados pela queda da produção em janeiro. Conforme o Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite), o volume recebido por laticíniose cooperativas de sete Estados recuou 2,67% de dezembro para janeiro. Na Bahia, a queda alcançou 10,8%, nível mais alto entre os estados da pesquisa. Em seguida, Minas Geraisteve captação 5,2% menor, acompanhado de Goiás (4,6%) e São Paulo (2,4%). Já no Sul, a captação avançou 0,76% devido, principalmente, ao aumento da produção do Paraná (6,1%), único estado da pesquisa que produziu mais em janeiro que em dezembro.
Os pesquisadores do Cepea explicam que a menor captação reflete as dificuldades para o produtor manter os investimentos na atividade. Insumos importantes, como concentrado e fertilizantes, ficaram levemente mais baratos no início deste ano. Em compensação, conforme esperado, o custo de produção aumentou com o reajuste do salário mínimo, que tem impacto direto nas despesas com mão de obra.
Além dos custos mais altos, outro problema apontado pela equipe Cepea é o forte calor, que reduziu o desempenho produtivo dos animais na maioria das regiões pesquisadas. No Nordeste, em especial, pesa também a escassez de forragem para o rebanho por causa da estiagem prolongada. Paralelamente, agentes consultados pelo Cepea relatam que o excesso dechuvas no Sudeste e em algumas regiões do Sul também prejudicou o transporte de leite da propriedade até a plataforma das indústrias.

Fonte: Globo Rural

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