Preço do boi seguirá firme este ano

Este deve ser mais um ano de alta dos preços do boi gordo, segundo analistas. Mas esse aumento tende a ser bem menos intenso do que o registrado no ano passado, quando a cotação do boi gordo disparou e teve valorização de 25%, afirmam. Ainda assim, esse quadro significa elevação dos custos para os frigoríficos brasileiros de carne bovina.

Mais um vez, a oferta restrita segue como o principal fator ‘altista’ para os preços do boi gordo. Esse cenário é decorrente do ciclo pecuário, que desde 2014 está na fase mais favorável aos pecuaristas e desfavorável aos frigoríficos. Essa etapa é marcada pela retenção de vacas, com o intuito de ampliar a produção de bezerro, que têm preço atraente.

A atual fase do ciclo da pecuária é o oposto do que ocorreu entre de 2011 e 2013, quando havia maior oferta de gado e a produção de bezerros foi desestimulada, o que se traduziu em aumento no abate de vacas e em margens polpudas para os frigoríficos.

Segundo Lygia Pimentel, da Agrifatto, a retenção de fêmeas deve se estender até 2016. Conforme a analista, os gestores das empresas terão de lidar com o fato que a ociosidade pode dar mais prejuízo do que pagar caro pelo gado, cujo preço bateu recorde em 2014 e pode subir mais cerca de 6,5% este ano, estima ela. Em suas contas, o custo de manter ocioso um frigorífico é de R$ 220 a R$ 350 por cabeça.

Para uma fonte da indústria de carnes, o setor já está se habituando ao novo quadro de preços altos para o boi. "É preciso ter em mente que a carne bovina vai ficar mais cara em todo o mundo", observa, em alusão à restrição de oferta nos EUA e na Austrália. E mesmo que os preços firmes da matéria-prima signifiquem custo maior para os frigoríficos, a expectativa para o setor é positiva, uma vez que a China deve importar volumes importantes do Brasil e a Rússia, mesmo à beira da recessão, não deve deixar de comprar a carne brasileira. Outro fator favorável, diz, é o dólar mais forte ante o real, que torna as exportações mais competitivas.

Para o analista César Castro Alves, da consultoria MB Agro, a demanda externa deve seguir favorável. A grande incógnita, diz, é a Rússia, que reduziu as compras do Brasil no último trimestre de 2014 devido à desvalorização do rublo. "A situação lá está muito ruim. Mas eles são dependentes do Brasil em carne bovina".

Se os russos dependem da carne brasileira, o Brasil tem na Rússia o segundo principal importador. Assim, é possível que haja queda de preço nas vendas aos russos. (Colaborou Alda do Amaral Rocha)

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *