- Ricardo Alfonsin Advogados - https://alfonsin.com.br -

Preço da soja entre o possível acordo China-EUA e o dólar

Na esteira de possível acordo entre China e Estados Unidos, a soja engatou em outubro valorização na cotação em dólares. Nos contratos com vencimento para maio do ano que vem, o preço do bushel (medida equivalente a 27,2 quilos), fechou o mês a US$ 9,57, alta de 0,81% em relação ao início.

Para o analista da Safras & Mercado Luiz Fernando Gutierrez Roque, esse aumento – o grão chegou a registrar quantias ainda maiores ao longo do período – é reflexo principalmente desse capítulo da negociação entre as duas superpotências. Também pesou a revisão para baixo dos dados da safra americana.

No início do mês passado, houve aceno de que os chineses voltariam a comprar produtos agrícolas – cerca de US$ 50 bilhões – dos EUA.

E houve embarques do grão americano. Mas o consultor em agronegócios Carlos Cogo pondera que os números contradizem a promessa:

– Os chineses compraram neste ano 6,2 milhões de toneladas de soja dos EUA. Na mesma época no ano passado, tinham comprado 16 milhões de toneladas.

E, se por um lado a cotação na Bolsa de Chicago subiu, por outro, o real ficou menos desvalorizado frente ao dólar, o que acaba influenciando os preços em reais.

– No pico da variação cambial, o preço da soja, em reais, subiu mais de 20% – pontua Cogo.

Gutierrez avalia que a concretização do acordo para por fim à guerra comercial travada entre as duas superpotências seguirá tendo papel importante no mercado:

– Tudo dependerá se vai ou não sair. Se sim, devemos ter preços na Bolsa de Chicago mais fortes, mas prêmios (para a soja brasileira) mais fracos. E aí, o diferencial será de novo o câmbio.

Como houve pouca evolução do acordo até o momento, a perspectiva é de bons preços – e de procura – pelo produto do Brasil até o início de 2020.

Vitrine para produção de carne a pasto

Produzida a partir de sistema diferenciado, onde o gado é alimentado exclusivamente com dieta verde, a carne da Fazenda Fomento, de Caçapava do Sul, na Região Central, ganha novo espaço. A partir desta semana, o produto será comercializado no La Estación, em Canela, na Serra. O empreendimento, que une casa de carnes e restaurante, será inaugurado na quarta-feira.

– Procuramos sempre trabalhar com um consumidor que se identifique com o que fazemos. Gostamos de ver que as pessoas estão procurando essa carne, pois sinaliza que estão preocupadas com o ambiente e o bem-estar animal – diz Nathália Bidone Biacchi, sócia da Fazenda Fomento.

O La Estación comercializará oito cortes do chamado grass feed beef (na tradução literal, carne alimentada com capim).

– Estávamos fazendo harmonização com vinhos e a carne mais elogiada foi essa, por ter sabor e qualidade diferentes – afirma Leandro Oliveira, proprietário do La Estación ao lado da esposa, Adriana Rambo.

O empreendimento tem outros parceiros. O consumidor pode escolher um corte no empório e pedir para os chefs prepararem na hora.

no radar

Já estão abertas as inscrições para agroindústrias que queriam participar da Expodireto Cotrijal e da Expoagro Afubra de 2020. Os dois eventos devem abrir espaço para cerca de 360 empreendimentos que integram o Programa Estadual de Agroindústria Familiar. Interessados têm até o dia 29 e devem procurar escritórios da Emater ou sindicatos dos trabalhadores rurais.

Ficou para dezembro

Falta bem pouco para a conclusão da dragagem de manutenção do porto de Rio Grande – a limpeza do canal de passagem está 97% feita. Mas os percentuais finais têm se arrastado para além das previsões. A última estimativa da superintendência era de que a obra terminasse em outubro. Problema na draga e detalhes contratuais, no entanto, devem fazer com que isso só seja possível a partir do próximo mês.

– Já solicitei reunião com a Secretaria Nacional dos Portos, que deve sair nesta ou na próxima semana, com todos os envolvidos na dragagem. A intenção é saber se está tudo dentro dos conformes legais, para que não se tenha problemas na homologação, como já ocorreu no passado – diz Fernando Estima, superintendente do porto.

Problema técnico obrigou a substituição da draga que vinha finalizando a limpeza. Uma outra, deslocada da Argentina, está prevista para chegar a Rio Grande amanhã. Além disso, segundo Estima, a fiscalização precisa ser feita sem que a obra esteja 100% concluída. A empresa responsável inicia a batimetria no dia 18, devendo encerrar em 20 dias.

– Vão escanear a obra e, eventualmente, poderá ter de ser feito retoque – explica Estima.

A limpeza é aguardada desde 2015, quando foi firmado contrato. Mas só saiu do papel em outubro do ano passado. E teve de ser suspensa após o aparecimento de lama na Praia do Cassino, sendo retomada após medidas adicionais de monitoramento. Quando encerrada, ampliará a profundidade no canal interno de 16 metros para 18 metros.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

Compartilhe!