Prejuízo da BRF triplica em 2017 e atinge R$ 1,1 bilhão

A BRF surpreendeu até os mais pessimistas e reportou ontem o maior prejuízo de sua história. No quarto trimestre de 2017, a empresa brasileira registrou um prejuízo líquido de R$ 784 milhões, perda 77,4% maior do que a registrada no mesmo intervalo do ano anterior, quando teve um resultado negativo de R$ 442 milhões. No acumulado de 2017, o prejuízo triplicou, somando R$ 1,1 bilhão.

O desempenho negativo no quarto trimestre BRF foi bastante influenciado pelas provisões feitas pela empresa. No período, a companhia provisionou cerca de R$ 450 milhões. A maior parte dessas provisões (R$ 206 milhões) foi decorrente dos ajustes nos estoques feitos por causa da Operação Carne Fraca. A empresa também fez provisões para processos na esferas cível e trabalhista (R$ 164 milhões).

Em razão das provisões, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) diminuiu 13,4% na comparação com o quarto trimestre de 2016, passando de R$ 577 milhões para R$ 499 milhões. Com isso, a margem Ebitda da companhia diminuiu 1,1 ponto percentual na mesma base de comparação, recuando de 6,7% para 5,6%.

Não fossem as provisões – sobretudo as de estoques -, o resultado da empresa teria sido melhor. A BRF calculou o Ebitda ajustado em R$ 645 milhões, o que representa um crescimento de 38,5% sobre o Ebtida ajustado de R$ 466 milhões do quarto trimestre de 2016. Assim, a margem Ebitda ajustada cresceria de 5,4% para 7,2%. De toda forma, ainda se trata de um nível de rentabilidade muito baixo para os padrão histórico de dois dígitos da companhia.

Em termos de vendas, a BRF registrou crescimento no trimestre. Nos últimos três meses de 2017, a receita líquida totalizou R$ 8,9 bilhões, aumento de 3,6% na comparação com os R$ 8,6 bilhões do mesmo período do ano anterior. Em volume, a companhia vendeu 1,3 milhão de toneladas no último trimestre de 2017, avanço de 8,1%.

Em 2017, porém, a receita líquida da companhia caiu 0,8%, de R$ 33,7 bilhões para R$ 33,4 bilhões. Na mesma base de comparação, o Ebitda caiu 22,3%, a R$ 2,6 bilhões.

No relatório de apresentação do resultado, o empresário Abilio Diniz, que preside o conselho de administração da BRF, não assinou a mensagem, quebrando uma tradição. Desta vez, apenas o novo CEO, José Aurélio Drummond assinou a o texto, prometendo que melhores resultados virão neste ano.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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