Preconceito afasta trabalhador das vagas no agronegócio

Fonte: DCI – SP

Entre as razões para a falta de profissionais qualificados na união de grupos cooperados do País, falta de informação gera déficit superior a 5 mil vagas no Paraná – São Paulo

As cooperativas agrícolas brasileiras enfrentam a dificuldade de encontrar profissionais qualificados para completar seus quadros de funcionários. Além da concorrência com indústrias e setores produtivos urbanos, elas enfrentam também o preconceito gerado pela crença de que “a lida no campo” oferece ao profissional um trabalho pesado.

A carência brasileira pela mão de obra especializada não é uma novidade, entretanto, esse gargalo começa afetar o setor cooperativista do País. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mais de 50% de toda a produção agropecuária do País passa, direta ou indiretamente, por uma cooperativa. O Brasil possui hoje mais de 1.546 organizações, formadas por aproximadamente 943 mil produtores rurais que movimentaram de janeiro a setembro mais de US$ 4,6 bilhões em exportações conforme levantamento do Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

“Com mais de 5 mil vagas para profissionais agropecuários especializados, sendo que destes, mais de 2 mil remetem somente a vagas em frigoríficos, o Estado do Paraná está à beira de um colapso” afirma Nelson Costa, superintendente-adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). “A situação no estado é bastante complicada, e alguns setores passam por problemas piores. Como os frigoríficos, que demandam muita mão de obra, mas não conseguem contratar”, lembrou o executivo.

Segundo ele, apesar dos salários equiparados com os pagos nos grandes centros urbanos, o preconceito quanto às atividades agrícolas tem reduzido ainda mais o número de interessados. “As pessoas acham que é muito penoso, quando a realidade mostra algo bem diferente. No setor da cana, os cortadores trabalham bem mais que na construção civil sim. Mas uma atividade dentro de um frigorífico de aves, suínos ou bovinos é mais tranquilo que a carregar sacos de areia em obras. E queremos derrubar esse preconceito com algumas campanhas, mas ainda estamos conversando sobre isso”, disse Costa.

Em Mato Grosso a situação é parecida, e a demanda por mão de obra especializada chega a quase mil empregos. Para o superintendente da OCB-MT, Adair Mazzoti, o estado precisa começar a pensar na abertura de novas unidades de ensino e qualificação para que o gargalo não se torne prejuízo no futuro. “Estamos debatendo com as cooperativas para levantar uma solução para esse gargalo, pois não se monta uma estrutura de capacitação de uma hora para outra. É preciso buscar parcerias e profissionais de outros estados para qualificar a mão de obra do estado”, comentou Mazzoni.

O executivo salientou que com o crescimento das demandas por produtos agrícolas, novos maquinários e tecnologias são exigidos, entretanto não há profissionais para operá-las. “A ocupação que precisamos é pessoal qualificado, pois a cooperativa compra um equipamento de mais de R$ 1 milhão, e não vai entregar para um profissional que não possui um conhecimento básico.”

Na Bahia, apesar do número de cooperativas ainda ser pequeno, e a quantidade de empregados não ultrapassar os 2 mil, as plantas frigoríficas também tem gerado uma forte demanda por profissionais qualificados. “Há alguns dias um frigorífico me procurou para saber sobre profissionais em busca de vagas, mas não sabíamos, e ele resolveu buscar um em outros estados do sul do País”, disse Cergio Tecchio, presidente da OCB-BA.

O único estado a não reclamar a falta de profissionais foi Minas Gerais, uma vez que grande parte de suas principais culturas é dominada por agricultores familiares. E 95% dos produtores de café do estado são da AGRICULTURA FAMILIAR, então eles dependem pouco da mão de obra especializada. Outro setor é o de lácteos, no qual as cooperativas mineiras produzem 1/3 de todo o leite nacional, entretanto cada produtor produz em média 200 litros por dia”, disse Marco Túlio, gerente técnico da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg).

 

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